ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

6 de fev. de 2010

ROSA




 O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem.

João Guimarães Rosa

 

Enéas Lour e Ranieri González em cena na peça teatral
"QUEM MATOU ÁGATHA CHRISTIE?"
em 1998 no Teatro Lala Schneider.

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Amanhã - domingo, o7 de fevereiro - no
MUSEU OSCAR NIEMEYER - (OLHO)
a partir do meio-dia
grande evento plástico-perfomático-artístico
deste gênio chamado Rettamozzo.

Vá lá!

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5 de fev. de 2010

Adoniran Barbosa


Sábado, 06/02/2010 
Na Boca Maldita
das 12:00 às 12:15 hs.

A Excola de Samba Unidos do Botão  
convida seus destaques
(nossa ex-cola só tem destaques),
para o Carnaval Light 2010, 
que se arrastará pela menor avenida do mundo, 
a Av. Luiz Xavier,
 na Boca Maldita, em Curitiba, 
no dia 6 de fevereiro, sábado, às 12:00h. 
E terá seu encerramento no mesmo local às 12:15h,
 podendo ser prorrogado até as 12:30, dependendo do entusiasmo dos participantes do evento.

Este ano o homenageado será o sambista
Adoniran Barbosa, 
precursor da idéia da coleta seletiva do lixo: 
“Jogue as cascas pra lá”,
o que o vincula intimamente com a nossa cidade.
Os carros alegóricos serão mínimos, em caixas de fósforos,
papel de bala e outras miudezas, a saber:
1) Carro da Saudosa Maloca
2) Carro do Trem das Onze
 
3) Carro do Bexiga
4) Carro do Torresmo à Milanesa

5) Carro do Viaduto Santa Efigênia
(com participação da própria Efigênia)
6) Carro do Arnesto
7) Carro do Tiro ao Álvaro
8) Carro Prova de Carinho 
também conhecido como Carro da Aliança,
feito com corda de cavaquinho.

Agradecemos a participação de todos.

Saudações Carnavalescas, Hélio Leites, Katia Horn, Efigênia, Lauro Borges, Goto e Cia,
Gerson e Agenda, Telam, Ricardo, Sabrina, Rita, Ritinha, e etecéteras.

OBS: Traje obrigatório = Cachecol
(faça chuva ou faça sol,
nossa excolinha só vai pra avenida de cachecol)
O Botão.
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(copiado do blog do solda : http://cartunistasolda.blogspot.com)

 

CCTG = ELEFANTE BRANCO

 

Quem será o próximo político a ocupar o Palácio Iguaçu
como Governador do Paraná?
Beto Richa? Álvaro Dias? Osmar Dias?
Não.
O próximo político a ocupar o Palácio Iguaçu
como Governador do Paraná
será o atual vice: Orlando Pessuti, que, em abril
substituirá Roberto Requião
ficando no cargo até que seja eleito
um dos acima citados.
Será que dá tempo pro Pessuti fazer alguma coisa
no que diz respeito à área cultural?
Pois, nesses 07 anos de gestão Requião,
além de bibliotecas no interior,
muito pouco foi feito.
Relegada a último plano, 
com uma dotação orçamentária ridícula,
a Secretaria da Cultura do Paraná fez pouco.
E o Teatro Guaíra?
O Teatro Guaíra não fez nada.
E a TV Educativa?
Sem comentários.

Enéas Lour

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4 de fev. de 2010

SIMONE NERCOLINI

GENTE NOVA NA PRAÇA!
 

"De todos os homens que conheço
o mais sensato é o meu alfaiate.
Cada vez que vou a ele,
toma novamente as minhas medidas.
Quanto aos outros,
tomam a medida apenas uma vez 
e pensam que seu julgamento
é sempre do meu tamanho."

George Bernard Shaw


 

3 de fev. de 2010

Ernesto Sábato


 
Ernesto Sábato : escritor argentino,
ensaísta e artista plástico.

O TÚNEL foi lançado em 1948. 
Ernesto Sabato comentou esta obra extraordinária: 
Enquanto escrevia esse romance muitas
vezes me detinha, perplexo para avaliar o que
estava saindo, tão diferente do que havia previsto.
E, sobretudo, me intrigava a importância crescente
que iam assumindo o ciúme e
o problema da posse física.
Minha idéia inicial era escrever um conto,
o relato de um pintor que enlouquecia
ao não conseguir comunicar-se
nem mesmo com a mulher que parecia
tê-lo entendido por intermédio de sua pintura.
Ao final, o desespero metafísico
se transforma em ciúme
e a história que parecia destinada a ilustrar um
problema metafísico se transforma em romance de paixão e crime.
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O CARA É BAMBA!



 

NENA INOUE


 

Acabei de receber um email afetivo da Nena Inoue,
mulher que eu admiro muito!

Enéas Lour

2 de fev. de 2010

GUAIRINHA


 
O Auditório Salvador de Ferrante
(GUAIRINHA)
sendo construído em 1953
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(Na rua, o bêbado para a mulher)

- Mas nem com dois trator você me leva de volta pra casa!

 

1 de fev. de 2010

TROLÂMPAGO

  
O GARÇOM : Ih! Hoje já deu uns trolâmpagos! E dos fortes!

Gosto de ouvir frases soltas por pessoas nas ruas, 
nos bares, nas praças,
nas feiras, nos taxis, nos sinaleiros, 
como que jogadas fora, nas calçadas.
Aí eu as pego e brinco com elas.
Às vezes brinco por horas.
Às vezes por dias.
Na maioria das vezes,
até que ela se encaixe na boca de uma personagem.

Enéas Lour


CAMINHO DO PEABIRU

 

CAFÉ DO TEATRO 2005

 
No Café do Teatro no inverno de 2005
Enéas Lour / Beto Guiz / Luiz Melo / Chico Nogueira / Fernando Marés / Mario Schoemberger
BONS TEMPOS!

SÃO LUIZ DO PURUNÃ


 



30 de jan. de 2010


 
Encontro do Povo Guarani
irá reunir mais de 800 índios
sul-americanos no Paraná

A história mostra que as formas de dominação são
sempre acompanhadas pela violência simbólica,
de ataques contra a cultura do povo a ser dominado.
Passados mais de cinco séculos desde a ocupação
européia do continente, baseada num processo de violência
que praticamente dizimou os povos originários,
as populações de indígenas resistem aos problemas
do presente e buscam formas de afirmação de sua cultura.

Neste cenário de grandes dificuldades,
a etnia guarani, que no Brasil é formada pelos sub-grupos
Mbya, Kaiowa e Ñhandeva, resiste e ainda consegue
manter o seu teko, isto é, a maneira do índio pensar,
agir e se comportar, a sua visão de mundo: a sua cultura.

Para fortalecer os laços identitários,
ampliar a organização em defesa seus interesses
e ampliar o diálogo com os não-índios,
os guarani se reunirão no
Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa
- Encontro dos Povos Guarani da América do Sul - 
que será realizado na aldeia indígena Tekoha Añetete,
localizada no município de Diamante D’Oeste,
no Paraná, entre os dias 02 e 05 de fevereiro de 2010.

O evento contará com cerca de 800 indígenas
Guarani do Brasil,  da Bolívia (Chiriguano),
do Paraguai (Ache-Guayaki, Kaiowa, Mbya e Ava-Guarani)
e da Argentina (Mbya), que irão debater e apresentar
reivindicações aos representantes dos governos
dos países sul-americanos que integram o fórum.
Além das questões relacionadas à cultura,
os problemas relacionados aos territórios guarani,
como o atraso nas demarcações,
as constantes invasões promovidas por grileiros
e latifundiários e escassez de terras de algumas reservas,
são alguns principais pontos
que serão debatidos no encontro.




 

 "Viver é um descuido prosseguido."
 João Guimarães Rosa
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28 de jan. de 2010



A Cantora Careca

Esta peça mudou a cara do
Teatro em Curitiba nos anos 80.
O texto do genial Eugéne Ionesco
foi a primeira direção de Macelo Marchioro
que reunia um elenco
da mais alta qualidade de nosso teatro
(Odelair Rodrigues, Glda Elisa, Enéas Lour,
Jane Martins, Beto Guiz e José Basso)
e estreou no então Teatro da Classe
(hoje Teatro José Maria Santos)
no dia 07 de novembro de 1984.


Na foto: José Basso, Enéas Lour e Gilda Elisa em 1984.
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Um conselho do velho Nelson Rodrigues:
"Envelheçam, jovens!
Envelheçam antes que seja tarde!"

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27 de jan. de 2010


HOJE É QUARTA-FEIRA: DIA DE COBRAS



Numa entrevista à TV, o escritor português
Antonio Lobo Antunes
disse que todo escritor ao ser indagado sobre
as influências que o levaram a escrever
costuma citar Joyce, Prous entre outros.

Para ele, isso é conversa de intelectual:

"Quem nos leva a escrever é Flash Gordon”



“Muito antes de conhecermos os 
grandes escritores
a nossa vontade de contar histórias já nos foi
despertada por aqueles autores ditos menores,
mas, que apaixonam nossa imaginação."

Ariano Suassuna
recorda ter visto na infância o filme
"Flash Gordon no Planeta Mongo"
e disse:
“Quando vi a chegada do homem à Lua

pela televisão, fiquei decepcionado.
Flash Gordon era mil vezes mais interessante."


Flash Gordon é o nosso inconsciente coletivo
posto a nu e deve ser revelado
às crianças antes que elas sejam
vacinadas contra a imaginação.

26 de jan. de 2010

LIVROS BACANAS








 “ANA, A ANÃ ”


Desde nascença já era anã, a pobre.
Das minúsculas mesmo e cabeçudas - as mãos gorduchas, os dedos-tocos, testa em ovo e o pior: as perninhas bem cambaias.
Os pais medianos normais, mas, uma tia aberratória havia: Tia Laurinha, a nanica.
Tinha um nome bem curtinho a anã: Ana.
Nome posto pela mãe em desaviso, antes mesmo de saber ou desconfiar que a filha fosse ser assim: miúda para sempre.
Vivia a pobre, depois de entender os fatos, lá pelos doze anos ainda, já amuada e tristezinha. 
Na escola, os colegas debochavam, pra seu maior sofrer ainda, diziam : ... “coisa pouca! ... meia sombra! ... bibelô!”... essas coisas.
Aninha foi levada a doutores com diplomas; a santas-benzedeiras; a macumbas fervorosas; a capelas milagrosas de milagres consagrados e : nanja!  O nanismo era eterno para ela! Não crescia nem um tico a pequena pequerrucha.
Veio o tempo adolescente e trouxe, lá pras amigas, os peitinhos empinados? Sim.
Os quadris mais requebrantes, os batons, os brincos e carmins? 
Sim. 
E namorados beijoquentos? 
Sim!
Mas, pra ela, o tempo trouxe um andar mais balançado, umas banhas mais gorduchas e nenhum olhar que não de curiosa chacotice. 
Nenhum namorado teve. Nenhumzinho só que fosse!
Aos quinze, as amigas dançaram a valsa com os pais. Ela não : dispensou. 
Ia se achar risível no salão a pixotinha, tendo o pai em corcundas forçadas rodopiando sob os olhares e risos do baile. Não quis, por mais que o pai dissesse que ninguém se atreveria a rir. Não quis.

Ela, nas noites do seu quarto, se sonhava:
toda alta, toda linda, numa praia ensolarada e sem as roupas de criança. 
Mas, os dias acordavam e ela via o tronco grosso, mais e mais a cabeçorra, menos pernas, menos braços e os seios mais boludos. 
Tinha ódio: ojeriza.
Um dia, já contava mais de trinta anos, morreu a mãe e, aos trinta e três morreu o pai.
Ficou sozinha a anã no casarão vazio. 
Viu no espelho que já eram rugas mais profundas as que tinha. 
Viu que eram branquinhos os seus tufos de cabelos laterais.
Viu que o tempo não trazia senão mais marcas e mais nada para ela.
Chorou então umas muitas lagrimazinhas miúdas e encheu mais um pouco o aquário olhando os peixes nadarem entre as bolhas de ar e as algas e depois saiu para a rua.
Andou a anã até a ponte enorme que liga a cidade ao continente e,
com seus passinhos bem tortos, chegou ao meio da enorme estrutura de aço, para  lá de cima olhar o mar lá embaixo.
Era cinza - de um cinza escuro e de espumas suicidas - o mar que se apresentava. Era um mar convidador e aberto em enormidades salgadas para o mergulho.
Ela ficou ali, com o olhar navegando sobre as ondas dançarinas com suas saias rodadas de rendas brancas de espuma.

Ele vinha vindo sem nada saber de nada da vida da anã que estava ali por um fim. Veio vindo nos seus passos, mãos no bolso e assobios. Viu a mulher-tão-pequena com aquele triste olhar tão grande sobre o mar e foi passando por ela, na reta de seu caminho normal.
Quando ele estava já há dois passos passados, ela virou-se e disse com sua voz de criança velha :
- Ei, você!...
Ele olhou e ela disse assim, bem nervosa, para ele:
- Você me beija, se eu te pedir? ... Me beija?
E ele sem respirar, bem parado :
- Eu? ... Eu beijo.
Pois assim que ele disse isso, a pequena fechou os olhos e
fez assim um biquinho com os lábios.
E então ele abaixou-se e, antes olhou para os lados vendo se vinha alguém, depois beijou bem de leve a boquinha de Ana, a anã.
Ela manteve por um tempo os olhos fechados e saboreou os mistérios do primeiro beijo bocal da sua vida. Chegou até a suspirar baixinho das delícias que sentia.
Ele encabulou em vergonhas de que algum conhecido o visse e,
já ia indo, quando ela outra vez : 
- Mais um se eu te pedisse?
- Não. ... me desculpe! ... (E foi indo.)
- O último, eu juro! Te dou meu dinheiro! (Ele parou.)
Ana subiu no alambrado da ponte e pediu :  
- Me beija antes que eu pule?
Ele não sabia que palavras usar e disse :
- Eu beijo! ... Mas, desça! ...
Ela não desceu e fez biquinho de novo, agora, de cima da murada, na altura certa dos lábios dele.
Ele beijou a anã e sentiu a língua dela lamber sua boca por dentro
com uma gula gigantesca.
O homem teve medo e nojo de estar ali beijando uma anã desconhecida e sentindo suas íntimas salivas. Afastou a boca depressa e deu as costas pra ela : - Adeus! ...
E foi indo ponte afora passando a manga da camisa nos lábios
e sem nem se importar com mais nada.
Nem com o dinheiro, nem nada.
Ana nem abriu os olhos: pulou.
Foram dezenas de metros abaixo.
Dezenas.
E, em pleno vôo, ela sentiu a crescente metamorfose,
como em mágica, em fantasia final: era grande o seu minúsculo corpo agora, solto no espaço vazio! Era enorme! Cortava os ventos em reta descida.
Crescia a grande emoção e agora ela era linda, com os cabelos voando sem freios, sem peso, com os braços abertos e mais nada que não fosse só o mar chegando para o abraço...

Lá da ponte ele viu o pequeno corpo descendo,
depois viu a boca da água engolindo a mulherzinha e mais nada.

A noite já vinha chegando e em casa a mulher e os filhos. Foi-se embora o homem temendo a complicação.
Passou antes no bar de sempre pra beber, e depois, foi pra casa dormir.

No outro dia na praia encontraram
- dizem, não  sei se é verdade -
uma imagem de santa pequena:
de Sant’Ana, há quem afirme.
E mais - dizem - que a tal santa pequena, 
apesar da lágrima salgada
que verte dos santos olhos vez por ano,
mantém sempre os olhos fechados
e faz com os lábios assim:
um biquinho, num quase-sorriso miúdo.

Enéas Lour / 2000

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Vai lá!
 

25 de jan. de 2010








Enéas Lour como o Dr. Treves na peça
"O HOMEM ELEFANTE"
direção de Luiz Roberto Meira
Guairinha 2003



O velho dinossauro trabalhava
como fóssil no museu.
Achava muito enfadonho não poder se mexer,
mas, eram os ossos do ofício!

Mini contos de Carlos Seabra

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24 de jan. de 2010



Foi inaugurada recentemente,
em São Luiz do Purunã, a
Avenida Mário Schoemberger,
uma homenagem da população autóctone
daquele lugarejo a um dos mais talentosos
atores do Paraná, falecido em 2008.
Estiveram presentes à cerimônia
de descerro da placa muitas personalidades
da área das Artes Cênicas paranaenses,
entre as quais a coluna destaca:
Odelair Rodrigues e Lala Schneider, as
"Black and White First Ladies" de nossos palcos;
o renomado Zé Maria Santos também esteve "Lá",
além dos diretores
Cleón Jacques, Roberto Menghini,
Antonio Carlos Kraide e Oraci Gemba.
Também marcaram presença alguns atores,
atrizes e bailarinos locais, como
Ailton Silva, Rita Pavão, Lineu Portela,
Olinda Wischral, Beto Rafael e o artista plástico
e dramaturgo Raul Cruz.
E ainda estavam presentes algumas personalidades da velha guarda,
como o casal Edson e Delcy D'avila,
Luciana Cherubim, Maurício Távora
e o professor Armando Maranhão.

A nova via liga a mansão Lourtiz à região
da Zona Oeste do Lago da Nascente
do Rio Tamanduá
e tem extensão de quase 50 metros (!)
com Pista Dupla!


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23 de jan. de 2010




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Para pintar o retrato de um pássaro

Primeiro pinte uma gaiola com a porta aberta.
Depois pinte algo gracioso,
algo simples, algo bonito,
algo útil para o pássaro.
Então encoste a tela a uma árvore em um jardim
em um bosque ou em uma floresta.
Esconda-se atrás da árvore sem falar,
sem se mover...
Às vezes o pássaro aparece logo
mas, ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pássaro
não influi no bom resultado do quadro.
Quando o pássaro aparecer,
se ele o fizer,
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e, quando ele assim agir.
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então, apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar
na plumagem do pássaro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pássaro.
Pinte também a folhagem verde
e o frescor do vento, o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
E então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza, você arranca
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome em um canto do quadro.

 Jacques Prévert

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21 de jan. de 2010




VELÓRIO

(pensamentos no passamento)

Seu bafo: vinagre.
Seu hálito: esgoto.
Seu suor: gosma.
Sua bunda: caída.
Sua orelha: ostra.
Seus pelos no nariz: nojo.
Sua sombra: bolor.
Seus calos nos dedos dos pés: caramujos.
Suas sobrancelhas: taturanas.
Sua barba: lixa.
Suas unhas: tartarugas.
Sua risada: trombeta.
Seu umbigo: o poço do seu mundo.
Sua cabeça: pocilga.
E este terno: azul e cinza
eu mesma escolhi
(e a gravatinha mirrada
e preta que você detestava
e os sapatos marrons que apertavam seus calos, também!)
O caixão e a coroa de flores custaram caro demais.
Mas,
valeu cada centavo para ver você partir
deste mundo para o inferno.
Vai!
.

Enéas Lour
Janeiro de 2010

19 de jan. de 2010



IMPORTANTE PARA QUEM
QUER FAZER COMÉDIA.

CLIQUE AQUI E ASSISTA O ESQUETE DE
UM GRANDE COMEDIANTE INGLÊS : Freddie Frinton


O esquete de Freddie Frinton fazendo o mordomo bêbado
que serve o jantar à velha dama (a atriz é  May Warden)
cujos amigos convidados são invisíveis, pois que já mortos,
é um dos melhores pitéus do humor inglês.
O argumento do esquete é dos anos 1930 mas,
Frinton interpretou-o pela primeira vez em 1945.
Nos anos 50 ele adquiriu os respectivos direitos
para o levar o esquete aos palcos ingleses
sem ter que pagar royalties.
O êxito foi tamanho que foi comprado
para ser apresentado na Broadway.
Esta versão tem cerca de 14 minutos
e é em preto-e-branco.
Existe outra versão em cores na internet,
mas, a sincronização de som e imagem está muito ruim.
Freddie Frinton é um mestre em tempo de comédia!
Vale a pena assistí-lo!

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18 de jan. de 2010




 Aristóteles (384 a.C. / 322 a.C.) definia dramaturgia
como a organização de ações humanas de forma coerente
provocando fortes emoções
ou um estado irreprimível de gozo.
A poética é imitação (mimesis) e abrange a poesia épica,
a lírica e a dramática: (tragédia e comédia).
A imitação visa a recriação e a recriação visa
aquilo que pode ser.
Desse modo, a poética tem por fim o possível.
O homem apresenta-se de diferentes modos
em cada gênero poético: a poesia épica apresenta
o homem como maior do que realmente é, idealizando-o;
a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes
e a comédia apresenta o homem ressaltando
seus vícios ou defeitos.

"A história conta o que aconteceu; a poesia, o que deveria acontecer."
Aristóteles

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BONITO
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"Sou um escritor de peças,
mostro o que vi, no mercado dos homens.
Vi como o homem é negociado, isso
eu mostro, eu, o escritor de peças.

Para poder mostrar o que vejo
consultei os espetáculos de outros
povos e de outras épocas
reescrevi algumas peças, com cuidado
examinando a técnica usada e
assimilando
aquilo que me podia ser útil.

E também as frases que eram
pronunciadas
dei a elas uma marca especial.
Para que fossem como as sentenças
que se anota
para que não sejam esquecidas." 


Bertolt Brecht


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17 de jan. de 2010


Casa LourOrtiz / São Luiz do Purunã
16/01/2010

 
Pinheiros / São Luiz do Purunã
16/01/2010



Instrumentos de trabalho / São Luiz do Purunã
16/01/2010

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Plantando um pé de acerola
em São Luiz do Purunã.
Na foto: Enéas Lour e Tiúsca.
(O Enéas é o de chapéu)

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