ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

30 de abr de 2010

DEUS É JUSTO MAS NÃO É APERTADO!

(clique na imagem para ampliar)

KARATE KID CONTRA UM SIMPLES BÊBADO COMUM

Entrei no bar 
– mesas de fórmica branca – 
eram onze e pouco. 
Pedi um bolinho de carne e uma meia cerveja. 
A televisão gritava uma musiquinha estúpida 
no alto do canto azulejado. 
O japonês 
– sorriso – 
abriu o forninho de vidro sobre o balcão 
e caçou uma bolota de carne moída
com os dois pauzinhos, 
ágeis e melados de graxa de pastel,
e a colocou dentro de um prato de alumínio amassadíssimo 
que empurrou para mim enquanto mergulhava 
no balcão frigorífico atrás da meia cerveja. 
Voltou com a garrafinha 
e com um estouro arrancou a tampinha que 
– mágica – 
deu três giros mortais no ar 
e caiu dentro de uma caixa de papelão 
cheia de tampinhas mortas. 
Tudo muito rápido. 
Pegou um copo e 
- malabarista do Circo de Tóquio- 
fez três giros também no ar 
antes de vir parar em minha frente, sobre o balcão. 
O japonês riu e disse lá alguma coisa em nipo-português que 
– juro – 
não entendi. 
Mas, ele riu assim mesmo.
Enchi o copo e mordi a bolota de carne moída olhando a TV.
- Tem uma pimentinha? 
(Implorei ao japonês querendo disfarçar 
o requintado sabor da iguaria gordurosa)
- Pimentinha? 
Disse balançando a cabeça - que sim – o National Kid.
- É!
- Só tem molho! 
E apontou o pote de plástico vermelho-grudento 
logo ali ao lado, no balcão.
- Ah, ta! ... Tudo bem, obrigado! ... 
Eu disse enchendo a boca de cerveja.
Foi aí que ele entrou.
Um desses homens-lixo que vagam pelas cidades. 
Desses bem podres. 
Cabelos compridos grudados com terra; 
unhas pretas; joelhos de fora nos rasgos da calça; 
olhos inchados; alguns dentes; 
um pé com chinelo havaiana e o outro com ferida grandona.
O japonês fez cara de kamikaze e já foi enxotando o bicho.
O imundo parou no meio das mesinhas brancas 
e olhou para todo mundo no boteco. 
Eu, dois PMS lá no fundo e mais um velho que já ia saindo. 
Depois enfiou a mão dentro da calça 
e massageou as suas partes 
dizendo assim, com seu sotaque alcoolizado: 
“Deus é justo, mas, não é apertado!” 
E olhou pra mim, que quase ria da frase, 
me mostrando uma cara que dizia assim: 
“Ta rindo do quê?”
Ele aproximou-se ignorando o nipônico 
que urrava sons incompreensíveis para qualquer um 
e apontava a porta da rua lá de trás do balcão. 
Aí o imundo-filósofo-bêbado repetiu, 
com seu bafo bem dentro do meu nariz, 
a sua frase triunfal : 
“Deus é justo, mas, não é apertado!” 
E riu.
E eu disse 
– sem saber o que dizer – 
- Ta certo! 
E ri timidamente.
O japa veio feito um aviãozinho 
riscando o céu em direção ao destróier preto e sujo, 
mas, quando estava quase batendo nele, 
o bicho-podre-obsceno 
tirou do saco plástico um maço de notas miúdas amassadas 
e umas moedas que botou sobre o balcão dizendo: 
- “Põe pra mim duas pingas e me dá um quibe também! ...”
O japonês viu as notas e parou 
e resmungou e serviu o pedido direitinho 
depois de embolsar a grana miúda 
no bolso do avental meio encardido.
O monstro-podre e vesgo comeu o quibe de uma vez 
e depois virou a primeira pinga. 
A segunda degustaria mais devagar, 
com o dedinho mínimo levantado 
e dando só pequenos goles olhando tudo devagar.
Eu ali do lado bebi minha cerveja 
e acendi um cigarro. 
(Não ofereci para evitar papo.)
- O senhor me dá um cigarro, amigo?  
Disse ele em seguida.
Dei. 
Mas, acendi sem olhar nos olhos dele para evitar papo.
- Muito agradecido, amigo! 
E tragou fundo.
Os dois soldados PMs lá na mesa do fundo, 
já coberta de garrafas de cerveja, 
riram do pobre-diabo-maloqueiro-poeta
que julgou enfim ter conquistado platéia 
e, por isso, resolveu repetir a própria poesia teológica e disse: 
- “Deus é justo, mas, não é apertado!”
Riso de todos,
menos do Karatê Kid enferruscado 
que lavava copos na pia e balançava a cabeça negativamente.

O show-man podre se entusiasmou 
e gritou para os milicos : 
-“Deus é justo, mas, não é apertado!”
Eles riram.
Ele dançou uns passos bêbados 
não meio do bar 
com os dois dedos indicadores indo e vindo 
para cima e para baixo: 
- “Deus é justo, mas, não é apertado!”
Várias vezes, 
até que foi perdendo a graça 
e nem eu nem os milicos olhávamos mais para o 
chato-podre-preto dançarino.

O Japonês grudou-se no celular 
e falava coisas incríveis em sua língua natal.

Terminei a cervejinha 
e o papagaio-bêbado-craquento 
continuava se balançando no puleiro 
repetindo a sua marchinha de carnaval:

 “Deus é justo, mas, não é apertado!”
“Deus é justo, mas, não é apertado!”
“Deus é justo, mas, não é apertado!”
...

Até que cansou. 
Terminava a segunda pinga 
e já revirava o pacote plástico 
atrás de uma moedinha para adquirir 
mais um martelinho e depois, 
quem sabe, seguir viagem pela rua.

Fui ao banheiro.
Um quartinho minúsculo 
lá no fundo do bar 
onde não havia mais ar nenhum 
e o cheiro de mijo ardia nos olhos. 
Entrei segurando o pouco ar que tinha em meus pulmões 
e mijei a cervejinha toda num jato espumante e rápido. 

Saí louco para respirar de novo 
e vi o japonês lá na porta do bar,
com as mãos na cintura
olhando lá pra rua.

Lá fora os dois miliquinhos PMs 
davam porrada pra cacetete em alguém caído na calçada. 
Procurei pelo bar com os olhos. 
Era nele que batiam. 
Senti um frio na barriga, 
corri até a porta e parei com as mãos na cintura.

Era mesmo nele a tunda: 
coturnos na barriga; nas costelas, no saco. 
Pauladas na cabeça, na boca, nos braços 
e palavrões no pé-de-ouvido.
Os dois PMs desciam o cacete 
no coitado-podre-preto-velho
que já era só uma bolota de carne moída 
encolhida no meio-fio, ao lado dos sacos de lixo, 
cascas de laranja, guardanapos 
e latinhas de coca-cola e guaraná.
E eu olhando.
Aí os dois PMs juntaram 
o chorão-pau-dágua do chão 
e o jogaram lá pra dentro da viatura.

Lá de dentro o olhar dele, 
vazando sangue,
encontrou o meu.
E ele riu pra mim. 
Riu com aquela boca-mole 
vermelha desdentada de pobre-animal-poético-urbano. 

Riu como se ainda repetisse: 
- “Deus é justo, mas, não é apertado!”

O bolinho me voltou até a boca 
quando os PMs fecharam o camburão 
e ligaram a sirene e saíram cantando pneu pela rua 
levando o pacote vermelho e preto.
O japonês também riu.
Riu e disse assim com seu sotaque amarelo:
- Essa gente tem que tratar assim, senão já viu, né?

E entrou no seu boteco fedido pra fritar mais um pastel.


Enéas Lour
Fev. 1988

(Ilustração : Enéas Lour)

VOTO



..............................................................................................................
EU VOTO MARINA SILVA


EU VOTO MARINA SILVA
...

29 de abr de 2010


Três mulheres de talento do teatro.


ESPERAnça

(clique na imagem para ampliar)

ESPERAnça

Era um sol latejado que fazia 
as sombras de tudo ficarem mais fortes, desenhadas na areia.
Ela cozinhava o dia com as crianças largadas ali no pátio e, 
volta e meia, 
o olhar lá na curva do mar aberto. 

A testa franzida. 
Uma mão cobrindo o sol e a outra apoiada na anca.
Ele tinha ido já há quase oito anos, 
mas, ela sabia que, 
como o sol, ele voltaria um dia.

Na bacia de sempre, 
de todos os dias, chuva ou sol, 
ela espremia as cabeças de peixe e camarões para o almoço. 
Os olhos duros, esbugalhados, olhavam como ela envelhecera.
Trazia as rugas fundas na testa 
e nos cabelos agulhas brancas espetavam aqui e ali 
a cabeça da mulher sozinha com suas crias.
Comeram.
Ela e os guris, 
como quem mastiga os dias, 
sempre os mesmos.

Depois, 
os guris correram pros seus mundos 
beira d’água salobra nos pés da ponte velha 
e ela lavou os pratos na bica. 

Jogou os restos num buraco 
e cobriu com areia quente.

Três e meia e os olhos dela
foram outra vez para a curva do mar aberto.
Maré enchendo, 
hora boa de entrar com a canoa 
pela boca da enseada 
bordando a proa com rendas de espuma. 

Mas, nada. Nem sinal da canoa dele.
Sete e meia a vazante e a noite e, 
na escuridão, ninguém entra de canoa por ali.

Então: ainda não foi hoje que ele voltou.

No oco da casinha torta 
ela pôs a farinha sobre a mesa 
e quebrou um ovo. 
Um gole dágua.

Fazer o pão.

Amassar cada segundo na tarefa.

As mãos estrangulam a massa 
denunciando a raiva 
e a batem na mesa como se, 
surrando o pão,
ela pudesse se vingar dele.

Dentro dela o amor fermentava ódio.
Ela deixou o pão crescer, 
coberto com um pano de prato branco 
onde se lia, 
em letras bordadas em vermelho vivo: 

“Amanhã é um novo dia”

(ilustração de Enéas Lour)


Enéas Lour
Jan/2008

28 de abr de 2010

ASSASSINO - DALTON TREVISAN

(clique na imagem para ampliar)

ASSASSINO

(Conto de Dalton Trevisan - Ilustração de Enéas Lour) 

É caminhoneiro, 
viaja por todo o país, às vezes mais de mês fora de casa. 
Quando encontra a mulher grávida, o tipo fica possesso:
- Meu? Esse aí? Nunca que é!
A moça muito religiosa, ele o único homem. 
Feliz que terá enfim companhia 
nas longas ausências do marido.
Cada vez que ele chega:
- Não é meu esse bicho.
E xinga:
- Dessa barriga o pai não sou.
Na outra viagem:
- Esconda essa pança medonha. Nada tenho com ela.
No fim da gravidez:
- O quê? Ainda penha? Não se livrou desse trambolho?
Nasce uma menina, bonita, alegre, 
sempre de fita no cabelo. 
A amiguinha da mãe que, desde então, 
evita o assédio do marido. 
A criança adora o pai, que repele o seu agrado:
- Sai pra lá, você!
Na partida, manobrando de ré o caminhão, 
ele passa pelo corpinho da menina. 
Mais que alegue inocência, para a mulher foi de propósito.
- Assassino, sim. Da tua própria filha. bandido. 
Há que queimar no inferno. Monstro!
Absolvido no inquérito, mas não por ela, 
que o recebe aos gritos de três vezes maldito.
Na viagem seguinte morre de mal súbito. 
A mulher não chora e nem veste luto:

- E um assassino merece?



FERNANDO BACHSTEIN



Hoje é aniversário do 
Fernando Bachstein
grande sujeito, ótimo ator, meu amigo.



Fernando Bachstein 
esteve comigo como protagonista da peça
"A LONGA VIAGEM DO COMANDANTE
FULANO DE TAL 
ATRAVÉS DO GRANDE OCEANO"
espetáculo baseado na obra de 
Bertolt Brecht encenado em 2004
e que eu pretendo remontar em breve.

Veja a análise crítica desta peça feita por
Carlos Henrique Trindade no link abaixo:



26 de abr de 2010

CHIQUE!

Maíra Ortiz e Lour
diretora da Súbita Companhia de Teatro 
acaba de ser selecionada para representar o Brasil no 
Festival TransAmérques  
em Montreal, no Canadá.

O Festival receberá artistas de várias partes do mundo 
para um intercâmbio sobre o teatro.


Le FTA 2010 : plus de 25 spectacles pour prendre 
le pouls de la création contemporaine internationale

Du 27 mai au 12 juin prochains, 
une indomptable bourrasque de spectacles 
en provenance de dix-sept villes 
d’une douzaine de pays de quatre continents
décoiffera Montréal alors que la quatrième édition 
du Festival TransAmériques secouera la métropole. 
Marie-Hélène Falcon, 
directrice artistique et générale, 
présente des œuvres nouvelles, audacieuses tant par leur
forme que par leur propos, signées par des artistes phares 
de toutes générations, d’ici et d’ailleurs, 
témoignant de l’éclatante 
vitalité de la création contemporaine
qui ne cesse de surgir dans le monde.

http://www.fta.qc.ca

23 de abr de 2010

NEGO MIRANDA

EXPOSIÇÃO


Foto: Nego Miranda



O fotógrafo Nego Miranda 
inaugura na próxima quinta-feira, dia 29, 
às 18h30, a mostra A Eterna Solidão do Vampiro
na Casa Andrade Muricy (Dr. Muricy, 915), 
espaço da Secretaria de Estado da Cultura. 

Uma pesquisa iconográfica 
em que o fotógrafo registra as marcas de 
um inventário pessoal 
do “Vampiro de Curitiba”, o escritor Dalton Trevisan. 

São 30 imagens 
que fogem do estilo "cartão-postal",
fugindo do óbvio,
 numa visão particular
da cidade de Curitiba.

IMPERDÍVEL

QUE MUNDO!




DEZ ANOS

TEMPOTEMPO10ANOSTEMPOTEMPO
TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
TEMPOTEMPO10ANOSTEMPOTEMPO

Os Incendiários – De Max Frisch, direção de Felipe Hirsch. 
Com Mario Schoemberger, Enéas Lour, Guilherme Weber, 
Gilda Elisa, Edson Rocha, Nena Inoue, Tais Tedesco, 
Erica Migon, Christiane de Macedo
e Lala Schneider (participação especial). 
De sete de junho a 2 de julho de 2000, no Guairinha, 
com sessões de quarta a sábado, às 20h30, 
e domingo às 18 horas. 
Ingressos a R$ 10,00 (quarta, quinta e domingo)
e R$ 15,00 (sexta e sábado).

Zeca Corrêa Leite
(FOLHA DE LONDRINA 07/06/2000) 

TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
TEMPOTEMPO10ANOSTEMPOTEMPO

21 de abr de 2010

GLAUCO - O ANJO INQUIETO

(Clique na imagem para ampliar)
(Ilustração de Enéas lour)


O ANJO INQUIETO

De Glauco Flores de Sá Brito


Fronteira alguma demarca
a ansiedade de meus passos

Fronteira alguma limita
os sonhos de minha cabeça

O céu é muito pequeno
para me conter inteiro

Meus pés estão na terra
e a mão está no mar

Minha cabeça se agita
em nuvens de tempestade

Meu ventre sente fome
e o sexo sente fome

Sou um anjo
com asas de fogo.


------------------

O "Auditório Glauco Flores de Sá Brito",
conhecido como o Mini-auditório do Teatro Guaíra,
foi inaugurado em 1975
sendo reservado, principalmente, para as companhias
de teatro paranaenses e espetáculos experimentais de vanguarda.

----------------


UM TANGO COM O DRÁCULA

PIXELS WORLD






19 de abr de 2010

VIDA



 VIDA

Ontem fui assistir a tragicomédia "VIDA." 
Baseada na obra de Paulo Leminski, 
a peça é um murro.
Uma beleza!
Uma porrada na cara de tudo quanto 
é santo curitibano, 
como fazia sempre o "polaco louco" - o Paulo Leminski.
 
Mas, 
a peça é a peça 
e o Leminski é o Leminski 
e talvez esta seja a melhor coisa da peça.
Sua originalidade.

Ele - Paulo Leminski - ali 
e eles à lá vontade,
nas suas vidas e no palco.

Um espetáculo corajoso, 
cruel e carinhoso nas mesmas teclas, 
nas mesmas notas, nas mesmas palavras.


O elenco é demais de bom!
Demais!

Ranieri González é um monstro 
(como sempre!). 
Um monstro capaz de nos emocionar enquanto rimos
e nos divertir enquanto choramos. 
Um mestre do teatro, esse cara.
Um fenômeno!
(eu já sabia)

Nádja Naira, Giovana Soar e Rodrigo Ferrarini 
estão muito bem em cena. 
Dominam tudo. Espontâneos, seguros, brilhantes.


O cenário do Fernando Marés 
é preciso, precioso, poderoso, coadjuvante, 
imponente e simples. Muito bom.


Uma dramaturgia nova, ousada, transparente e corajosa.
Lúdica, mas, aguda, cortante.
Tropeçante, mas, caminhante.
Adiante!
Uma peça muito melhor que Curitiba. 
Muito maior que Curitiba. Muito mais ácida.
Como acho que o Leminski gostaria de assistir 
e eu também, gostei muito!

Enéas Lour



17 de abr de 2010

DORES E ZELOS



Dores e zelos

 Machucou a minha pele
verteu sangue de meus cortes
alisou minhas feridas
me deixou nua na noite.

Inventou fontes e barcos,
falou de lutas que não sei
montou cavalos voadores
correu estradas do sem-fim.

Bebeu água dos meus rios
mordeu frutos latejantes
chupou uvas e amoras
e cansado adormeceu.


Poema de Zeca Corrêa Leite
(Ilustração de Enéas Lour)

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

16 de abr de 2010

SELEÇÃO DE OURO

(clique na imagem para ampliar)


Já está formada a nova seleção "de ouro" do Brasil.

O técnico Tunga escalou um escréte 
do mais baixo nível reunindo onze dos mais 
notórios corruptos do país 
e afrmou que temos grandes chances 
de conquistar mais uma vez a Copa do Mundo.

Na fotomontagem feita por Enéas Lour,
nosso articulista, fotomontador e correspondente 
estão os onze titulares.
Em pé, da esquerda para a direita temos
o primeiro dos dois paranaenses convocados,
Nelson Justus que joga no centrão, 
o segundo paranaense convocado é Jocelito Canto 
que joga com a caixa, digo, camisa dois 
(na foto Jocelito está abaixado entre 
o ex-presidente Collor de Mello 
e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares). 

Seguindo temos na foto, de pé,
o nosso número 01, Paulo Maluf, que joga no gol; 
a seguir o calvo Marcos Valério do Mensalão; 
o ex-czar do Pt José Dirceu, que joga na retranca 
seguido pela Polícia Federal 
e depois temos o eterno José Sarney 
e a estrela do momento: 
O Arruda da Cueca de Brasília.

Agachados estão da esquerda para a direita, 
o escroto Renan Calheiros com o calção meia dúzia; 
o gosmento presidente do Supremo: 
Gilmar Mendes com o calção número 09; 
o sorridente e canalha ex-presidente 
Collor de Mello da Poupança 
e os já citados: 
Jocelito Ponta Grossa Canto Caixa Dois 
e o horrível Delúbio Soares!

Com um escrete desses estamos quase lá
... no fundo do poço!

Enéas Lour


15 de abr de 2010

LANÇAMENTO : LIVRO

ÓTIMO VÍDEO DE  LANÇAMENTO DE "NOVO" PRODUTO




A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR...




5.5


 (Eliane Berger com 02 anos)

Hoje - 15 de abril de 2010 - é o
aniversário da atriz, diretora teatral e minha amiga
ELIANE BERGER
grande figura humana a quem devo muito
e mulher que muito admiro!


ATENDENDO A PEDIDOS AÍ VAI A PRIMEIRA CENA DO TEXTO

REIVALINO E DAGOBÉ
(ambos os dois assassinos contratados)

Texto de Enéas Lour para dois atores
vencedor do Edital de Novas Dramaturgias da
Fundação Cultural de Curitiba / 2009

CENÁRIO : 
DE INÍCIO É A LUZ E SONS DO DIA, DEPOIS A LUZ E SONS DA TARDE. 
DEPOIS A LUZ E SONS DA NOITE E DEPOIS AINDA, AS LUZES E SONS DA MADRUGADA. E, SEMPRE, OS BARULHOS CERTOS DO MUNDO DO EM TORNO, NUM MESMO MEIO DE MATO, PERTO DE UMA ENCRUZI-LHADA, LÁ NOS CAFUNDÓS-DO-JUDAS. 
AQUI E ALI, COM ENTREMEIOS, É MATO QUE SÓ, FECHADO, AS GALHARIAS.
UNS POUCOS SEMI-ABERTOS CAPÕES SE REVEZAM NA PAISAGEM GERAL EM ESPAÇOS VERDE-MARRONS CORTADOS POR ESTRADAZINHA, FEIA EM MACADAMES E BEM TORTA EM CURVAS QUE SE ADIVINHAM, UMA DEPOIS DA OUTRA, BEM PRÓXIMAS ENTRE SI.
NO AMOITAMENTO DE CADA UMAS DAS DUAS PERSONAGENS, EM CADA CURVA NO INÍCIO E DEPOIS MAIS, BEM AJUNTADOS, HÁ QUE HAVER MAIS GALHOS, MAIS FOLHAS EM CAMUFLAGENS NECESSÁRIAS PARA A TOCAIA.
PODE QUE HAJA - E HAVERÁ SE DER NO JEITO DAS TÉCNICAS - UMA GAROA - QUASE QUE CHUVA BEM LEVE - POR CIMA DE TUDO, EM ESPECIAL NA MADRUGADA.
E TAMBÉM - POR MÍNIMA - UMA FOGUEIRAZINHA, QUE NÃO DENUNCIE SINAL A OUTROS DE QUE ALI SE AMOITAM OS DOIS MATADORES CONTRATADOS, NA ESPREITA.

ADEREÇOS  
ALÉM DA PAISAGEM, CADA UM DOS TAIS MATADORES - REIVALINO E DAGOBÉ - TRAZEM CONSIGO, CADA QUAL AS SUAS FERRAMENTAS DE USO PROFISSIONAL E PARTICULAR: SUAS ARMAS, SEUS FERROS, SEUS COUROS, PELEGOS, CUIAS, ARREIOS, CANECAS, BULES E LEMBRANÇAS ATÉ, QUE DEPOSITAM BEM FÁCIL AO LADO PARA PEGAR E SUMIR, SE CARECER DE.

FIGURINO 
CADA QUAL TEM SEU JEITO, OS DOIS BEM DIVERSOS, MAS, AMBOS BEM SIMPLES QUE SÃO. 
QUASE SEMPRE O ALGODÃO, O COURO E O BRIM NOS TRAJES. BOTINA OU CHINELO ALPARCATA, CINTURÕES, BAINHAS, CHAPÉUS EM PALHA, EM COURO TAMBÉM. 
MANTA, LÃ, ATÉ REDES PODE SER, DAS MAIS ENGANCHADAS E SOLTAS DEPRESSA.
   
CENA 01 - APRESENTAÇÃO

DESDE QUANDO O PÚBLICO ENTRA NO ESPAÇO CÊNICO PARA SENTAR-SE, UM VIOLEIRO COSTURA UMA MÚSICA DE VIOLA PONTEADA. 
DAGOBÉ - COMO UM  BICHO DENTRO DO NINHO - É O PRIMEIRO A SE FAZER NOTAR NO SEU CANTO, AMOITADO, PARA A SURPRESA DA PLATÉIA.
O DIA AMANHECE E O MULATO DAGOBÉ - DEPOIS DE VIGIAR O ENTORNO, CERTIFICANDO SEGURANÇA - SAI DO ABRIGO E MIJA FOLGADO NUM TRONCO DE PÉ-DE-PAU NUM CANTO DO ESPAÇO. 
A DOIS-CANOS APOIADA COM A CORONHA NO CHÃO, AO LADO E À MÃO.
OUVEM-SE PIAR AQUI E LÁ UNS QUERO-QUEROS, UMAS SABIÁS, ESSAS COISAS VOANTES E CANTANTES DE MEIO DE MATO NAS MANHÃS. NÃO OS GALOS, POIS QUE ESTES SÓ VIVEM EM REDONDEZAS HABITÁVEIS POR GENTES ESTABELECIDAS DE FATO E, ALI ONDE ESTÃO, NINGUÉM NÃO VIVE NÃO, POIS QUE É TRECHO SÓ DE PASSAGEM. 
NEM CERCAS, NEM GADO, NEM NINGUÉM: 
É O MEIO DE MATO. 
SÓ A ESTRADAZINHA RECORTA O MUNDO, DEIXANDO DO LADO DE CÁ UMAS TERRAS QUASE VIRGENS E SEM DONO E DO LADO OPOSTO: O MESMO IGUAL QUE ANTES DO OUTRO LADO.
O MULATO DAGOBÉ - APÓS O MIJO MATUTINO - ESTICA O CORPO E DEPOIS LAVA A CARA, COM A ÁGUA DE UM CANTIL ESFREGADA ATÉ PELOS CABELOS E O PEITO E O SOVACO TAMBÉM.
NO MEIO DISSO, DE REPENTE, UM ESTALIDO DIVERSO E O MULATO PULA PRA CIMA DA ESPINGARDA E SE ESCONDE COMO PODE.

DAGOBÉ      - ... Se é do bem mostre a cara, senão eu queimo! ...

REIVALINO  - (LENTA E CALMAMENTE DEPOIS DE UM TEMPO) ... Se eu quisesse te mandar pra o Céu ou pro Inferno, é já que estava lá!... Baixe o cano devagar e se assunte pro meio do claro...

DAGOBÉ      - Quem é? ... E por quem...? ...

REIVALINO  - Eu e por mim mesmo. Me obedeça e só...

DAGOBÉ      - (SAINDO DE TRÁS DO QUE ESTAVA COM A ARMA NA MÃO PELOS CANOS)... To em paz! ... (DEIXA A ARMA NO CHÃO, MAS, PERTO) ... Quem é? ...

REIVALINO  - Arreda c’o pé a dois-canos... (O MULATO OBEDECE)... "Quem é?" - digo eu.

DAGOBÉ      - Dagobé! ... Sou eu e sou na paz, asseguro!... Se mostre, pode se mostrar!...

REIVALINO  - Que posso sei. Não sei se quero.

DAGOBÉ      -  Não há o de por quê me temer, garanto...

REIVALINO  - Sei!... Dá os dois passos atrás! ... Anda! ... (O MULATO OBEDECE)...
(PARA SURPRESA GERAL REIVALINO SURGE DE SEU ESCONDERIJO BEM PERTO DO MULATO DAGOBÉ, QUE SE ESPANTA AO VER O OUTRO COM A FACA QUASE QUE NELE. REIVALINO É BRANCO, MUITO SÉRIO, VOZ DE CÃO, MEIO ROUCA, PAUSADA, LENTA. CABELOS BEM GRISALHOS, OS POUCO COMPRIDOS ATRÁS E OS QUASE NENHUNS NA FRENTE. UM DOS OLHOS TEM PROBLEMA E SE PISCA UM POUCO EM DEMASIADO. FIGURA SUJA E MEDONHA, AINDA MAIS ARMADA DE FACA AFIADA NA MÃO DIREITA)

DAGOBÉ      -  Te arreda !

(O ESCONJURO SAÍDO DOS BEIÇOS DE DAGOBÉ SOA COMO UM NADA NAS EXPRESSÕES E NAS ORELHAS DE REIVALINO, QUE PERMANECE ALI, RENTE, FACA EM PUNHO. ENQUANTO MANTÉM O OLHO EM RISTE, TREMELICANDO DE CIMA PARA BAIXO, COMO QUEM NEGACEIA A PRESA RECÉM PARALISADA. O OUTRO, DE SUSTO UM POUCO, DE CORAGEM UM TANTO, FAZ DAS VENTAS UM SONORO FOLE, DENUNCIANDO A CABOCLA NATUREZA. A TUDO ISSO, QUE EM MIÚDOS SEGUNDOS SE SUCEDE, PONTEIA O ACORDE DE SUSPENSES VINDOS DA VIOLA. É REIVALINO QUE VAI DANDO ESPAÇO, COMO QUE A PERMITIR UM TERETETÊ)

REIVALINO  - Se me dá querência! ... (ALIVIANDO) ... Diga lá o vivente, mal perguntando, o que é que busca nestas bandas? ... (ENQUANTO FALA, VAI RONDANDO COM INTERESSE OS “TRENS” DE DAGOBÉ, DEPOSITADOS A UM CANTO) ... Que pros serviços bem honestos não parece obedecer, c’os trens que vejo que carrega...

DAGOBÉ      - Do quê é que ando em busca não carece, por agora, de assuntar o amigo. A não ser que eu tenha mijado em terras de dono.

REIVALINO  - Tem dono, não.

DAGOBÉ      - E depois, o s’or não tá diante de nenhum fi’duma cadela, que seja!

REIVALINO  -  Se é em paz que vem, não tem do quê ficar rogado, tem? De paz também sou: garanto! ... É de passagem minha aparição aqui. mas, trago comigo meus ofícios já tratados, bem pagos e bem dos modos que me encomendaram...

DAGOBÉ      -  E se pode saber que ofício é esse que - de bem - o s’or vive e que faz o s’or estar-se assim: de tocaia?... 

REIVALINO  - Pois não me finja o s’or que não sabe, que por este mundo só se véve de tocaia! ... Não sabe, não?

DAGOBÉ      - Sei! (TEMPO) Qual é mesma a sua graça de nascença, que não pude ouvir direito?

REIVALINO  - Não ouviu porque eu não disse, só por isso!

DAGOBÉ      - Pois se quiser dizer, eu ouviria... Meu nome chamado é Dagobé! ... Do Mato Grosso ... do Sul! ... Alguns por aí me conhecem, em especial as quengas perdidas da zona dos meretrícios! (RI QUERENDO A AJUDA E CUMPLICIDADE E TENTANDO FICAR MAIS À VONTADE NA CONVERSA) ... Essas me conhecem de certo!...

REIVALINO    - Dagobé? ... Putanhero do Mato Grosso do Sul?...

DAGOBÉ      -  Exato.

REIVALINO  - ... Nunca ouvi dizer!...

DAGOBÉ      -  Por aqui não sou tanto, mas, se o s’or indagar mais pro lado de Aquidauana, Miranda, Corguinho, Coxim...
.
REIVALINO  - Sei! ... E de ofício?...

DAGOBÉ      -  Meu? ... Já fui peão, já lavrei em garimpo e em minas de ouro e diamante, já fui ferreiro, já lidei com gado, lavoura de algodão... já fiz de um tudo e mais um pouco nesta minha vida!...

REIVALINO  - E hoje?

DAGOBÉ      - Assim: pra que desejaria o s'or de saber, será? De mim, assim... hem? ... Nem eu sei sua graça e nem nada e tenho que responder, será? ...

REIVALINO  - (NUM RESMUNGO) ... Reivalino.

DAGOBÉ      - O que era? ... Como disse o s'or?

REIVALINO  -(MAIS ALTO) ... Reivalino!

DAGOBÉ      - Bonita graça!... Nome nobre, bem posto! ... Reiva...?...

REIVALINO  - ... Lino! ... Rei... va ... li ... no! ...

DAGOBÉ      - Certo! ... E ... de onde?...

REIVALINO  - Goiás.

DAGOBÉ      - Lindo estado! ... Goiás! ... Nunca não estive por lá, não! ... Mas, dizem que é lugar formoso total! ...

REIVALINO  - Nem é...

DAGOBÉ      - O povinho aumenta, não é? (VAI PEGAR UM CIGARRO DA GUAIACA E O OUTRO CISMA COM A PONTA DA FACA) ... Nada! ... Só pegar o pito! (TIRA O FUMO E A PALHA E ESTENDE  OFERECENDO) ... Faz gosto? ...

REIVALINO  - Me dê!... Pode assentar, mas, por hora, fique mais pra cá, mais longe da dois-canos ...
(DAGOBÉ SENTA-SE E ENROLA DOIS PITOS ENQUANTO O OUTRO - REIVALINO - SE CHEGA MAIS PRA LÁ, OLHANDO OS TRENS DO MULATO. QUANDO TERMINA, DAGOBÉ MOSTRA OS PITOS AO BRANQUIÇO FAZENDO NA CARA UM PEQUENO SORRISO DE AMIGOS)

DAGOBÉ      - ... Tem a binga? ...

REIVALINO  - Aqui! ... (PEGA E JOGA O ISQUEIRO PARA O MULATO QUE ACENDE OS DOIS CIGARROS NO BEIÇO E DEPOIS TIRA DE UM)...

(FIM DA CENA 01)


14 de abr de 2010




A família agradece os prêmios!



Em 2007 Fátima Ortiz 
foi premiada no Edital Oraci Gemba
de Novas Dramaturgias com o texto 
"O Palhaço Amoroso".

Em 2008 Fátima foi novamente premiada 
com o texto
"O Caminho dos Girassóis"
- a arte de cuidar -
Também em 2008 Enéas Lour 
foi premiado com o texto
"A Triste História de Hanna Kowalick"
- A Bruxa de Curitiba -

E em 2009 Enéas Lour
 foi premiado nesse mesmo Edital
da Fundação Cultural de Curitiba
com o texto
"Reivalino e Dagobé"
(os dois ambos assassinos contratados)

A família agradece os prêmios!

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PESSOA




13 de abr de 2010

"ACHO"

O Carlos Careqa
- grande artista, gente boa, bom ator e bom compositor -
é um cara do bem.
A minha música predileta de autoria dele é
"ACHO"
(veja o vídeo abaixo)

 

(fotomontagem de Enéas Lour)

Ouça mais músicas e compre os CD's do Careqa no link :