ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

16 de mai de 2014

FICHA TÉCNICA
NOME DO PROJETO .................................... “AS FERAS”
Enéas Lour ...................................................         Autor / Diretor / Cenógrafo
Eliane Berger ...............................................         Assistente de Direção
Marco Duboc ...............................................          Composições musicais
Dani Regis ...................................................         Iluminadora
Áldice Lopes ...............................................          Figurinista / Maquiador
Marco Duboc ...............................................          Sonoplastia
Luiz Roberto Meira .....................................          Produtor Executivo
Simone Nercolini ........................................         Atriz
Carlos Valente .............................................         Ator
Gilmar Rodrigues ........................................         Ator


9 de nov de 2012

CHEGA!


Um risco vermelho,
Navalha crua na rua,
A cidade se abre rasgada.
Mais um balaço na noite
Mais um tiro no Parolim
e mais outro no São Braz...
Facadas na Água Verde;
porradas no Cajuru; no Sítio Cercado;
estrangulamentos no Portão...
-  Rapaz, a cidade ta louca!
- Cresceu e pirou, a Curitiba!
Satanás rebolando faceiro
pela XV, pela Marechal Floriano,
pelo Passeio Público, pela República Argentina,
Praça Osório, Anita Garibaldi, Padre Anchieta,
por tudo que é canto, o lazarento rebola.
- Não dá mais pra sair de casa!
É o que mais se ouve dizerem.
- Que inferno!
Repete - com olho arregalado - toda a gente assustada.
Anoitece e amanhece e o inferno cresce mais ainda.
A cidade se afunda.
E nós?
Olhamos, tristes e medrosos, sem saber o que? ou como fazer? alguma coisa.

Na Praça do Homem Nu uns loucos abanam lenços brancos,
batem tambores e dançam em volta daquela estátua
tentando, pateticamente, expulsar o Diabo das Ruas.
Tentando laçar uma nuvem de paz e ancorá-la sobre a cidade.
Tentando puxar a orelha das autoridades.
Tentam, ao dançar em grupo, os loucos,
fazer chover a Paz sobre nós, curitibanos.

...
..
.

Enéas Lour
Novembro / 2012






 


2 de nov de 2012

VIOLÃO NEGRO



VIOLÃO NEGRO
Blues de Nula Reeso


Quando eu vi você – cara –
Lá no palco do fundo do nosso bar,
Com seu violão negro
Cantando em sustenido, num tom tão sofrido
Dizendo da menina que você diz amar
Saquei que eu não sou essa menina
Saquei que você não fala de mim em suas canções
Não sou eu ali na sua voz, nos seus dedos
Cutucando as cordas de nylon do seu violão negro
Você fala de outra mulher
Não de mim
Dos olhos dela, do cheiro dela, do sorriso dela
Não de mim, não do meu sorriso, do meu cheiro, dos meus olhos
Se eu não sou a mulher que você canta, meu amor
Quem sou eu pra você, me diga?
Eu não sou aquela que você canta
Faça um clipe pra ela
E ponha na internet
Me deixe em paz, rapaz!
Se eu não sou aquela que você canta, meu amor,
Quem sou eu pra você, me diga?






1 de abr de 2012

MATANDO O TEMPO

MATANDO O TEMPO

Com agulhas de crochê a velha senhora mata as horas
(Marilda Confortin)

Era uma vez menina que logo, logo: velha.
Ponteiros de relógio que, loucos, viraram hélices de ventilador.
E os dias passaram velozes.
E o medo da morte: besta feroz.
Assim, mais que de repente, a pele murcha.
A vida passa.
A vista cansa. Catarata.
Reumatismo. Artrose. Lumbago.
Os dentes caem.
O marido morre.
Assim, mais que de repente, o carnê das prestações da funerária,
em vinte e quatro vezes, com a pouca pensão da aposentadoria.
Quase oitenta, a vida argumenta: já está quase na hora de ir embora.
Assim, mais que de repente:
Ai de mim: fim.



              Enéas Lour
                Março / 2012.