ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

09/11/2012

CHEGA!


Um risco vermelho,
Navalha crua na rua,
A cidade se abre rasgada.
Mais um balaço na noite
Mais um tiro no Parolim
e mais outro no São Braz...
Facadas na Água Verde;
porradas no Cajuru; no Sítio Cercado;
estrangulamentos no Portão...
-  Rapaz, a cidade ta louca!
- Cresceu e pirou, a Curitiba!
Satanás rebolando faceiro
pela XV, pela Marechal Floriano,
pelo Passeio Público, pela República Argentina,
Praça Osório, Anita Garibaldi, Padre Anchieta,
por tudo que é canto, o lazarento rebola.
- Não dá mais pra sair de casa!
É o que mais se ouve dizerem.
- Que inferno!
Repete - com olho arregalado - toda a gente assustada.
Anoitece e amanhece e o inferno cresce mais ainda.
A cidade se afunda.
E nós?
Olhamos, tristes e medrosos, sem saber o que? ou como fazer? alguma coisa.

Na Praça do Homem Nu uns loucos abanam lenços brancos,
batem tambores e dançam em volta daquela estátua
tentando, pateticamente, expulsar o Diabo das Ruas.
Tentando laçar uma nuvem de paz e ancorá-la sobre a cidade.
Tentando puxar a orelha das autoridades.
Tentam, ao dançar em grupo, os loucos,
fazer chover a Paz sobre nós, curitibanos.

...
..
.

Enéas Lour
Novembro / 2012






 


02/11/2012

VIOLÃO NEGRO



VIOLÃO NEGRO
Blues de Nula Reeso


Quando eu vi você – cara –
Lá no palco do fundo do nosso bar,
Com seu violão negro
Cantando em sustenido, num tom tão sofrido
Dizendo da menina que você diz amar
Saquei que eu não sou essa menina
Saquei que você não fala de mim em suas canções
Não sou eu ali na sua voz, nos seus dedos
Cutucando as cordas de nylon do seu violão negro
Você fala de outra mulher
Não de mim
Dos olhos dela, do cheiro dela, do sorriso dela
Não de mim, não do meu sorriso, do meu cheiro, dos meus olhos
Se eu não sou a mulher que você canta, meu amor
Quem sou eu pra você, me diga?
Eu não sou aquela que você canta
Faça um clipe pra ela
E ponha na internet
Me deixe em paz, rapaz!
Se eu não sou aquela que você canta, meu amor,
Quem sou eu pra você, me diga?






01/04/2012

MATANDO O TEMPO

MATANDO O TEMPO

Com agulhas de crochê a velha senhora mata as horas
(Marilda Confortin)

Era uma vez menina que logo, logo: velha.
Ponteiros de relógio que, loucos, viraram hélices de ventilador.
E os dias passaram velozes.
E o medo da morte: besta feroz.
Assim, mais que de repente, a pele murcha.
A vida passa.
A vista cansa. Catarata.
Reumatismo. Artrose. Lumbago.
Os dentes caem.
O marido morre.
Assim, mais que de repente, o carnê das prestações da funerária,
em vinte e quatro vezes, com a pouca pensão da aposentadoria.
Quase oitenta, a vida argumenta: já está quase na hora de ir embora.
Assim, mais que de repente:
Ai de mim: fim.



              Enéas Lour
                Março / 2012.

28/03/2012

TRISTEZA: MORREU MILLÔR FERNADES


 
Morreu um dos maiores intelectuais que este país já produziu. 
Millôr Fernandes, que a maioria conhece apenas como 
nosso melhor humorista, imortalizado por frases e aforismos, 
foi poeta, escritor, dramaturgo, cronista,
jornalista, desenhista e tradutor do inglês e do francês. 
Impossível substituí-lo. 
Impossível avaliar o que representa a sua perda para a cultura deste país 
cada vez mais pobre de inteligência.
 

22/03/2012

CURITIBA VESTIDA DE NOIVA - CARTAZ


ESPETÁCULO-SOLO DA ATRIZ CLÁUDIA MININI.

UMA PERSONAGEM QUE IA SE CASAR
NO DIA EM QUE NEVOU EM CURITIBA.
17 DE JULHO DE 1975.
A CIDADE SE VESTIU DE BRANCO, COMO UMA NOIVA.
ELA, PORÉM, NÃO SE CASOU.

A VIDA, SÓ É POSSÍVEL REINVENTADA.

TEXTO E DIREÇÃO DE ENÉAS LOUR
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
LUIZ CARLOS PAZELLO E SÍLVIA MONTEIRO
ILUIMINAÇÃO : BETO BRUEL

ESTRÉIA DIA 19 DE ABRIL
TEATRO BARRACÃO EnCENA
RUA 13 DE MAIO 160 - CURITIBA - PARANÁ

10/03/2012

INCRÍVEL !


Directed by Andrew Thomas Huang: http://www.andrewthomashuang.com
Cinematography by Laura Merians
Costumes by Lindsey Mortensen
Production Design by Hugh Zeigler
Makeup & Hair by Jennifer Cunningham
Produced at Moo Studios

25/02/2012

PERSONAGENS

 
FOTOMONTAGEM DE ENÉAS LOUR

Uma das funções do dramaturgo
- talvez, a principal - 
consiste em mergulhar no complexo universo da criação,
sempre repleto de enigmas, de contradições, 
de mistérios, de angústias e insanidades,
explorando-o sem medo, para dali extrair suas personagens.

Enéas Lour



23/02/2012

10 DICAS PARA QUEM QUER ESCREVER



A canadense Margaret Atwood, autora de mais de trinta livros de ficção, poesia e ensaios críticos, publicados em diversos países (Olho de Gato, Vulgo, Grace (ganhador dos prêmios Giller, do Canadá, e Mondello, da Itália) e Assassino cego (vencedor do Booker Prize de 2000) publicou no Guardian dez dicas para escritores.
A lista é ao mesmo tempo séria e engraçada. Por um lado, algumas coisas que ela fala são básicas demais. Por outro, o que ela quer dizer, no fundo, parece, é o que está em um dos conselhos: escrever é trabalhar. Não é para ser fácil.

Então, aí vai a lista dela:
1. Leve um lápis para escrever em aviões. Canetas vazam. Mas se a ponta do lápis quebrar, você não pode apontar no avião, porque você não pode levar lâminas com você. Portanto: leve dois lápis.

2. Se a ponta dos dois lápis quebrar, você pode tentar apontar de um jeito meio improvisado com uma lixa de unhas, das de vidro ou de metal.

3. Leve alguma coisa em que você possa escrever. Papel é bom. No aperto, dá para usar pedaços de madeira ou o seu braço.

4. Se você estiver usando um computador, sempre salve os textos novos num pen-drive.

5. Faça exercícios para as coisas. A dor pode te distrair.

6. Tente manter a atenção do leitor. (Isso tem mais chance de acontecer se você puder manter a sua própria atenção). Mas como você não sabe quem o seu leitor é, isso se torna algo como atirar num peixe com um estilingue no escuro. O que fascina A vai entediar B profundamente.

7. Muito provavelmente você precisará de uma gramática básica e de um pé na realidade. Esse último conselho significa: não há almoço grátis. Escrever é trabalhar. Também é fazer apostas. Você não tem direito a plano de aposentadoria. Outras pessoas podem te ajudar um pouco, mas basicamente você está sozinho. Ninguém está te obrigando a fazer isso: você escolheu, então não reclame.

8. Você nunca vai poder ler o seu livro com a expectativa inocente que vem com a deliciosa primeira página de um livro novo, porque você escreveu aquilo. Você estava nos bastidores. Você viu como os coelhos foram colocados na cartola. Portanto, peça para um leitor amigo ou dois para dar uma olhada antes que você entregue para alguém numa editora. Esse amigo não deve ser alguém com quem você tenha um relacionamento romântico, a não ser que você queira terminar com ele.

9. Não fique empacado no meio do caminho. Se você está perdido na trama ou teve um bloqueio, volte atrás e veja onde você errou. Então, pegue outro caminho. E/ou mude de pessoa. Mude o tempo verbal. Mude a página de abertura.

10. Rezar pode ajudar. Ou ler outra coisa. Ou uma constante visualização do cálice sagrado que é a versão pronta e editada de seu livro resplandecente.


22/02/2012

DRAMATURGIA

    (fotomontagem de Enéas Lour / clique na imagem para ampliar)

Dramaturgia é a arte de composição de textos destinados à representação.
A palavra drama vem do grego e significa ação. 
Deste modo, o texto dramatúrgico é aquele que é escrito especificamente para representar a ação cujo cerne é o conflito. 
Toda ação em cena depende do conflito e da maneira como as personagens agem para atingir seus diferentes objetivos.
A dramaturgia vem a cada ano e como reflexo direto de evoluções do teatro em si, sendo o resultado de subjetivações, renovando-se esteticamente, incluindo a preocupação de ser também objeto de expansão da linguagem, com experimentos que trazem avanços dentro da própria lógica de sua estrutura.

Enéas Lour
Ator / Dramaturgo e Diretor Teatral