ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

24 de jan. de 2011

DE HOJE PARA AMANHÃ


No fim da tarde vejo
um galho enfeitado de borboletas.
Vejo um gomo de laranja no sol,
um por-de-sangue nas nuvens
e um traço de anoitecer
riscado no céu com carvão.
Já, já, as estrelas abrirão seus olhos de criança
inaugurando mais uma noite madrasta.
São mil rãs rezando roucas no brejo
e mil mariposas dançando nuas à luz da lua.

O amanhã ainda está lá longe!
Dos mares do Japão, ele vem vindo.
Ainda tenho uma noite de sono
antes de abrir o pacote de surpresas
que o novo dia trará.

Folha em branco imaculada, perfeita,
é o dia de amanhã.
Futuro, mais que imperfeito, agora,
do que ainda se dará.

Enéas Lour

São Luiz do Purunã

17 de jan. de 2011

UM NOVO TEATRO

O Teatro Guaíra foi, nos idos anos 80,
a “casa” da classe teatral do Paraná.
Lá, na cantina da “Tia Diva” nós,
atores, diretores, técnicos,
estudantes e professores, jornalistas,
bailarinos, fotógrafos, produtores, enfim, toda a classe,
nos encontrávamos e tomávamos café e coca-cola
e comíamos “nega-maluca” e “misto-quente”
e falávamos sobre os nossos planos,
nossos projetos, nossos sonhos.
E ríamos muito.
Lá, nos conhecíamos.
Trocávamos idéias e (re)criávamos o teatro local.

Era um tempo onde todos nós
exercitávamos esse relacionamento muito próximo,
muito estimulante.
Conhecíamos todos os funcionários do Teatro,
da camareira ao diretor superintendente
e mantínhamos contato entre nós.
Conviviam ali, naquele tempo,
jovens atores, diretores e
os “medalhões” do teatro curitibano.

Bem, foram-se esses tempos.
O mundo mudou, não é? Pois é.

Hoje em dia o Centro Cultural Teatro Guaíra,
relegado ao completo abandono,
é um elefante branco, burocrático e encastelado
onde a classe artística não tem acesso
e nem interesse em freqüentar,
pois, nada acontece ali.

Os últimos oito anos de gestão,
em especial,
transformaram o dito “centro cultural” (sic)
nessa masmorra modorrenta,
que a nova geração não conhece
e não tem como freqüentar.

Agora,
quando uma nova diretoria assume o Teatro Guaíra,
sob o comando de uma mulher muito capaz e inteligente,
que inclusive já esteve, por dois anos, neste comando
e deixou saudades de toda a classe artística,
uma luz se acende lá no fim do túnel.
Uma esperança,
não de voltar aos velhos tempos, coisa impossível,
mas, a possibilidade de retomar um espaço
que propicie a todos nós, artistas paranaenses,
a perspectiva de voltar a propor projetos,
voltar a discuti-los e reinventá-los.

Espero, sinceramente, que a Mônica Rischbieter
possa restaurar, não só aquele edifício tão desgastado,
mas, também, oportunize a interação,
tão necessária, em todos os sentidos,
entre os artistas no dito
“Centro Cultural” Teatro Guaíra.
 
Enéas Lour

14 de jan. de 2011

O ATOR E A PERSONAGEM



Se há uma coisa irritante na direção teatral
é o ator burro.

Aquele ator ou atriz,
que se esfrega no diretor, dia e noite,
querendo atendê-lo em seu afã
(do diretor e não dele ou dela)
como criador único e onipotente do espetáculo.

Aquele ator ou atriz burro(a)
que busca justificativas para não criar
e, sim, manter-se numa “zona de conforto”
onde não corra nenhum tipo risco,
sempre agradando ao diretor,
sem questioná-lo,
posto que ele é “o artista”
e que a sua visão (a dele. o diretor)
é a correta e, assim sendo, indiscutível.

Tenho uma preguiça medonha
de atores que agem assim nos ensaios.

Gosto do ator que discute.
Gosto do ator artista.
Que se impõe na discussão,
que argumenta, que revoluciona,
que arrisca pular de cara
nos muros da minha concepção.
Que me desafie como diretor,
que exija de mim e do grupo todo,
não as respostas à suas questões, mas, as dúvidas.
Que busque o risco.

Gosto de abrir este espaço, mas,
poucas vezes encontro atores que
dormem, acordam, sonham,
mastigam e defecam suas personagens.
Atores que vivenciam suas personagens
com prazer e profundidade em seu tempo de criação,
com fome de fazê-lo.

E, quando me encontro gente assim, me delicio.
O trabalho de criação cresce,
a personagem espuma, tem febre, esperneia,
reluta em ser domada, administrada, compreendida,
como toda a personagem sempre fez e fará
nas mãos de um bom ator,
assim como um cavalo que escoiceia
e pula e funga e sua,
quando um domador o tenta montar.
Até cederem, ambos,
cada um com suas concessões
e convicções e posicionamentos,
para serem então quase como um só:
cavalo e cavaleiro.

A função do diretor e provocar,
discutir e aprofundar o trabalho do ator
na conquista de sua personagem.

Um trabalho instigante, mas, que exige interação,
mão dupla, tripla, quádrupla, ...
quantas mãos formarem a equipe de criação
e, sorte daqueles que têm uma equipe que discuta,
fermente e efervesça esse processo maravilhoso
que é, ou deveria ser,
o ensaio de uma peça teatral.

Enéas Lour
Janeiro / 2011

6 de jan. de 2011

MONICA NO TEATRO GUAÍRA E VÍTOLA NA RTVE!


 
Monica Rischbieter
é a nova superintendente do Teatro Guaíra.
Ela terá, entre outros encargos,
a reforma completa das instalações do teatro
e a revitalização artística do Centro Cultural
que, nesses últimos oito anos,
transformou-se num grande nada! 

Mônica é produtora cultural,
diretora de cinema, já foi secretária de Cultura
e também Diretora do Teatro Guaíra

Pessoa muito admirada pela classe artística
curitibana, por sua sensibilidade,
competência e talento.

Estou muito feliz com esta notícia!


Outra boa notícia para completar o dia:

PAULO VÍTOLA
assumirá a direção da 
RÁDIO E TV EDUCATIVA DO PARANÁ


         PARECE QUE       
        AS COISAS VÃO    
  MELHORAR, NÃO É?   


BETO GUIZ


Roberto José Guiz
(Canoinhas, SC / 06/01/1955)
ou simplesmente : BETO GUIZ
é um dos meus mais caros e diletos amigos.
Parceiro da mais alta qualidade e caráter
este compadre é iluminador, ator e autor teatral
e ainda diretor de fotografia da SOFT VÍDEO.
Hoje completando 56 anos!
Parabéns!

MINHA AVÓ E O MAR ETERNO


MINHA AVÓ E O MAR ETERNO

 
Quando eu cheguei trazendo água do mar e areia,
minha avó ainda estava viva,
mas, em seus olhos, o azul já tinha
aquele nublado da eternidade.

Quando me viu entrar no quarto,
ela desenhou com os lábios
um barquinho de felicidade.

Cheguei ao lado da cama
e estendi a caixa rasa cheia de areia em seu colo
e, sobre a pele áspera arenosa
derramei a garrafinha de água
salgada que trouxera comigo
desde lá de longe, da beirada do mundo,
do mar.

A mão da minha avó tinha
algas azuis como veias
e suas unhas eram duras,
como a casca de um velho caramujo,
e, foi com delicadeza que ela
primeiro apalpou a miniatura de oceano
que eu trouxera ali a seu pedido.

Depois, com cuidado,
a ponta do dedo indicador
escreveu lentamente na areia molhada
um “A” maiúsculo,
seguido de um “m”
e de um “o” e,
por fim, de um “r”
e depois ela suspirou cansada
e me olhou, mais uma vez,
pensando seu jeito de me dizer adeus.

Seus olhos ficaram abertos em mim
e nunca mais se moveram.

No quarto gemeram soluços dos parentes
e alguém disse uma reza murmurada.
Eram tios e tias, minha mãe,
a empregada antiga e duas vizinhas amigas.

A alma de minha avó era pequenina,
redondinha assim: uma esfera perfeita,
que flutuou no ar
sobre o corpinho enrugado ali deitado
e dançou um pouco pelo quarto
antes de sair pelo teto
e desaparecer para os meus olhos
de menino de doze anos
e, claro, para os olhos de todo mundo.

Aquela mão, coberta de veias azuis,
ficou paralisada sobre
a caixa rasa de areia molhada e salgada,
onde se via desenhada, com capricho,
a palavra “Amor”
escrita por aquela mulher
que nunca vira o mar em toda sua vida,
mas, que ouvira muito falar sobre ele.

Ela ouvira dizer,
por seu falecido marido,
que fora por anos e anos marinheiro,
que o mar era imenso!
E que dentro dele,
mergulhados nas profundezas,
havia monstros belíssimos
cheios de patas e chifres
e nadadeiras leves como as asas das borboletas!

E que a luz dentro do mar era líquida
e dançava o balé das marés com a lua!

E mais e mais maravilhas marítimas
como as conchas, as sereias, as gigantes baleias,
os polvos e as estrelas que viviam no mar.

Ouvira mil vezes,
da boca do seu único homem,
as mil estórias dos sete mares.

E se encantara todas às vezes,
com cada palavra dita por ele
para descrever o oceano mágico,
que meu avô marinheiro percorrera mil vezes
antes de aportar
e vir procurá-la e encontrá-la e,
com ela, aqui tão longe do mar azul,
neste mundo de terra vermelha
do interior do Paraná,
permanecer para sempre.

Lembrava-se ela de,
ao estar ouvindo suas estórias,
ver o brilho do sol nos olhos do homem
e logo atrás o brilho da lua refletido
em seus próprios olhos
de mulher apaixonada.

E sonharam juntos com o dia
de entrarem os dois num barco
quando, finalmente, fossem juntos até a praia.

Sonharam os dois,
com esse dia que nunca chegou.

Meu avô morreu antes, do coração.

E ela dizia e repetia sempre,
que ele a estaria esperando lá:
numa praia do céu,
com sua farda branca de marinheiro
e os dois dançariam uma valsa na areia
e depois partiriam num navio sobre as nuvens
e se beijariam felizes.

Amém.
 
Enéas Lour
03 / 01 / 2011


 


20 de dez. de 2010

IRMÃ DE CHICO NO MinC


Dilma escolhe
irmã de Chico Buarque
para Ministério da Cultura

A presidente eleita, Dilma Rousseff
convidou a artista Ana de Hollanda
- irmã do compositor Chico Buarque -
para comandar o Ministério da Cultura.
Ela aceitou.



19 de dez. de 2010

ANO DO COELHO: TOMARA !

TOMARA!

Horóscopo Chinês de 2011
Ano do Coelho

No horóscopo chinês,
2011 é o Ano do Coelho.
Com início em 03 de fevereiro este ano 
será um período propício à tranquilidade,
diferente da agitação de 2010, o ano do Tigre
que representou mudanças
e momentos inconstantes.
2011 será, portanto,
segundo o Horóscopo Chinês,
uma época benéfica para descobrir
o que se deseja da vida e também para realizar
as metas estabelecidas no ano que passou.
O Ano do Coelho é propício para
descansar e recarregar as energias,
porém, o cenário quieto e calmo pode levar
à sonolência e a procrastinação
fazendo com que adie as tarefas desagradáveis,
mas, que precisam ser cumpridas.
A tendência generalizada
será realizar as atividades prazerosas,
com calma e criatividade.
Também será um período positivo para
as finanças e os negócios,
pois, o dinheiro será ganho sem muito esforço.
Bom gosto, refinamento e sensibilidade à beleza
são outros aspectos do Ano do Coelho que
também atrairá um sentido de paz e de harmonia
favorecendo a diplomacia,
as relações internacionais e a política.

www.oraculoching.com/.../horoscopo-chines.html



MARIA CHRISTINA NA FCC

(clique na imagem para ampliar)


Maria Christina Vieira
é coach, palestrante, escritora
e consultora em comunicação e marketing.
Experiência?
Mais de 30 anos em galeria de arte,
varejo, pecuária, executiva de empresa nacional,
executiva de ONG Cultural e Social, head hunter, empresária,
além de Presidência ou Conselho em entidades de classe.

18 de dez. de 2010

O ATOR

(clique na imagem para ampliar)


"O ator se transveste em mil personagens,
para poder ser mil vezes ele mesmo"

Chico Buarque
no livro Budapeste

15 de dez. de 2010

O BURRO, O CRAVO E A ROSA

(Luiz Antonio Simas é mestre em História Social
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
e professor de História do ensino médio)

(Ilustração Enéas Lour)

RIMA RICA

Curitiba, chuva e frio, puta que pariu!

14 de dez. de 2010

EH! VIDÃO!...

 
Domingo, ainda antes do "dilúvio"
Beto Bruel e Enéas Lour
trocavam figurinhas na varanda
tomando uma cervejinha 
em São Luiz do Purunã.
Eh! vidão!
...

9 de dez. de 2010

Pois é! ... NATAL


Pois é! ...

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VEJA ABAIXO O VÍDEO
"O NASCIMENTO DE JESUS NAS MIDIAS SOCIAIS"


5 de dez. de 2010

A GRALHA AZUL / ENÉAS E FÁTIMA


A GRALHA AZUL EM CRISE
  

Na matéria do Caderno G deste domingo (05/12/2010), a premiação do Troféu Gralha Azul é criticada por alguns artistas locais em alguns aspectos e mecanismos, tais como a seleção de jurados pouco afetos ao metier, quando, na realidade, me parece que o foco principal das críticas deveria ser endereçada ao seus mantenedores, ou seja, aos órgãos oficiais de Cultura no Estado do Paraná, especificamente à Secretaria de Cultura via Centro Cultural Teatro Guaíra, que mantém tal premiação oficial. Estes sim, como órgãos de fomento às artes cênicas, deveriam ser questionados pela classe artística pela desvalorização desta premiação, que, ano a ano vem se configurando como uma falácia, em termos de política cultural cujo objetivo seria prestigiar o artista e a produção teatral paranaense.

Porém, é somente nos finais de temporada, depois de publicados os indicados à premiação, que surgem – todos os anos – as críticas, geralmente superficiais, sobre estes ou aqueles aspectos; esta ou aquela indicação; este ou aquele disparate, engano ou falha creditada aos jurados, etc... etc...
Mas, durante o decorrer do ano nada ou quase nada é feito, nada é proposto para reestruturar, redimensionar, rever tais questões. No máximo uma ou outra reunião, ditas assembléias, no SATED, com pouquíssima freqüência são realizadas e, no próximo ano, lá vem de novo no jornal a mesma história de anos e anos.

O que tem que haver é a disposição da classe em exigir que as entidades oficiais de cultura, que o novo Secretário de Cultura, o novo Diretor Presidente do CCTG efetivamente se comprometam e assumam a discussão profunda com a classe artística para implementação de um projeto de premiação que resulte na valorização do artista local.

Um projeto de premiação cujos critérios objetivem abrir espaço para a produção cênica local. Não essa migalha de final de ano que confere um troféu de latão e uma quantia irrisória de dinheiro aos premiados, inclusive com desconto de ISS, coisa bem estúpida para uma premiação estatal.

Alguém se lembra - alguém da classe artística local, porque seria demais pedir que algum “leigo” se lembrasse - de quem ganhou o Troféu Gralha Azul do ano passado? E dos premiados de 2009, alguém, além dos então premiados, se lembra quem recebeu a Gralha Azul como o “melhor” daquele ano de 2009? E de 2008? ... Não? ... Pois é: ninguém lembra porque esta premiação não repercute, não adiciona nada, não destaca ninguém, não valoriza ninguém, nem o artista, nem o grupo, nem os técnicos, nem as companhias, nada.

Isto tem que mudar.
Um projeto oficial de premiação do Estado do Paraná deve ser significativo. Deve ser maior que um troféu de lata. A Secretaria de Estado da Cultura deve buscar o diálogo com a classe e vice-versa para projetar um futuro mais decente da premiação do talento do artista paranaense.

É louvável a proposta de Giovana Soar, Beto Bruel, Chico Nogueira, Maurício Vogue e outros interessados, em articular encontros para discutir uma proposta de reestruturação do Prêmio Gralha Azul.

É hora de todos nós, que atuamos no teatro local, batermos o pé e formularmos nossas propostas, ambiciosas, sim, para que exista esta premiação, ou para que seja extinta de uma vez.

Enéas Lour
Autor, ator, cenógrafo e diretor teatral

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Gralha Azul e os levados no bico
Por  Fátima Ortiz


Prêmios sempre serão discutíveis e limitados.
A vulnerabilidade está na essência do fato de apontar quem é o "melhor em arte. Deveria ser proibido. "
Mas nos gostamos de no mínimo sermos indicados.

Nossa Gralha Azul caducou há pelo menos 10 anos. Está acamada, entubada e não morre. Respira um ar provinciano. Ela é forte justamente por ser estéril. Não pariu. Não tem herdeiros. E suas asas fechadas hoje evocam saudosismo.

Curitiba mudou muito. O movimento teatral pede outras formas de mostrar os destaques da cena teatral.

Não adianta querer repensar o troféu tendo nas mãos os regulamentos anteriores.
O premio foi criado num momento muito impactante da classe artística, regulamentação da profissão, novos grupos independentes e efervescência cultural na cidade.
Hoje vivemos outro tempo, outros impactos, outras efervescências. Uma riqueza e uma diversidade fenomenal e muitos talentos em todas as categorias do fazer teatral despontam a toda hora.

Nosso teatro é reconhecido fora dos muros da província. Mas a gralha não consegue abrir as asas. Seu vôo rasteiro é comandado pelo estado com sua postura miserável, aquela que nos engana com migalhas do tipo “com eles nossa obrigação está cumprida”.

A mudança deve ser radical e pensada pelos jovens artistas maduros que a cidade está repleta.

Temos que ter coragem de dizer não e de deixar o velho morrer, de desentubar o moribundo!

Pra que é que serve ganhar este premio hoje? Um prêmio engessado na estrutura de um estado que nunca foi tão omisso. Um prêmio que deveria ser fruto de política cultural, palavra desconhecida dos nossos governantes.

Nossa cidade merece prêmios todos os dias, todos os meses, e em todas as estações!

O melhor prêmio que o estado pode nos dar é um reconhecimento que parta do olhar pela diversidade.

Se o estado conseguir abarcar nossos talentos e nossas produções abrindo muito mais espaços de trabalho, arejando os corredores ociosos, ventilando as salas de reunião, liberando verbas significativas, não precisará oficializar numa estátua e numa festa mixuruca a sua atenção pelos artistas de teatro.

Se ele fizer sua parte gerando movimento cultural e visibilidade da produção criativa, pode ser que outras instituições venham a criar outros prêmios.

Se o estado nos acolher no dia a dia com menos burocracia “a gralha botará ovinhos e os filhotes aprenderam a plantar o pinhão sem chão demarcado”.

Prêmios sempre serão discutíveis e limitados se forem assim burocráticos e circunstancias.

Quem vai dirigir a festa-cerimonia este ano?
Quanto de grana os premiados vão ganhar?
Vai ter desconto de imposto?
E depois nos meses seguintes quem vai continuar nos bajulando?

Não precisamos de falsos paternalismos.
Se for para premiar com grana que ela seja bem gorda!

Primeira questão que eu botaria na roda:
- Quanto o estado vai investir neste prêmio?
E depois como?
Caixinha de natal é humilhante.

Segunda questão ou pedido:
- Que nenhum amigo ou inimigo desta classe artística aceite ser membro da comissão julgadora para 2011.
Se não tivermos comissão o tubo está desligado.

Neste caso uma interrupção do prêmio seria saudável.
Dar tempo para surgirem outras idéias, mais condizentes com as novas realidades.

Não se decidem mudanças. Elas acontecem se forem favorecidas.
E se houver reflexões maduras poderá renascer das cinzas uma gralha-fênix com vôos mais arrojados.
 
A minha casa talvez seja o maior reduto deste peso cultural chamado Troféu Gralha Azul.
Não posso negar sua utilidade pratica de separar os livros nas estantes.
Mas, eu não quero ficar velha, chata e saudosista lustrando plaquetas. Minhas Gralhas requereram a eutanásia
e eu comecei hoje mesmo a desparafusar as asas de todas elas.

Fátima Ortiz
Atriz, autora e diretora de teatro.

2 de dez. de 2010

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA



A poesia de Carlos Drummond.
Perceba que o texto, mesmo sendo declamado
em diversos idiomas, mantém a força e a melancolia.

LANÇAMENTO DO LIVRO




Ontem a noite, no Teatro Novelas Curitibanas,
houve o lançamento do livro da
Coleção Dramaturgias Curitibanas
da Fundação Cultural de Curitiba,
que reúne os textos de dois dramaturgos locais:
Renato Perré e Enéas Lour.

Os textos publicados, vencedores do
Edital Oraci Gemba 2009/2010, foram:
"O CAVALO BRANCO DE MURIAH"
de Renato Perré e
"REIVALINO E DAGOBÉ"de Enéas Lour

Compareceram à cerimônia de lançamento
o Presidente da Fundação Cultural de Curitiba
- Paulino Viapiana -
e muitos artistas do teatro local.


Ainda neste mês de dezembro,
também no Novelas Curitibanas,
deve acontecer o lançamento do livro
"TRSITESCONTOS"
de autoria de Enéas Lour.

Obrigado a todos os que prestigiaram
o lançamento do nosso novo livro
e fica aqui o convite a todos
para estarem conosco em breve,
no lançamento do livro de contos.

Enéas Lour