ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

14 de jan de 2011

O ATOR E A PERSONAGEM



Se há uma coisa irritante na direção teatral
é o ator burro.

Aquele ator ou atriz,
que se esfrega no diretor, dia e noite,
querendo atendê-lo em seu afã
(do diretor e não dele ou dela)
como criador único e onipotente do espetáculo.

Aquele ator ou atriz burro(a)
que busca justificativas para não criar
e, sim, manter-se numa “zona de conforto”
onde não corra nenhum tipo risco,
sempre agradando ao diretor,
sem questioná-lo,
posto que ele é “o artista”
e que a sua visão (a dele. o diretor)
é a correta e, assim sendo, indiscutível.

Tenho uma preguiça medonha
de atores que agem assim nos ensaios.

Gosto do ator que discute.
Gosto do ator artista.
Que se impõe na discussão,
que argumenta, que revoluciona,
que arrisca pular de cara
nos muros da minha concepção.
Que me desafie como diretor,
que exija de mim e do grupo todo,
não as respostas à suas questões, mas, as dúvidas.
Que busque o risco.

Gosto de abrir este espaço, mas,
poucas vezes encontro atores que
dormem, acordam, sonham,
mastigam e defecam suas personagens.
Atores que vivenciam suas personagens
com prazer e profundidade em seu tempo de criação,
com fome de fazê-lo.

E, quando me encontro gente assim, me delicio.
O trabalho de criação cresce,
a personagem espuma, tem febre, esperneia,
reluta em ser domada, administrada, compreendida,
como toda a personagem sempre fez e fará
nas mãos de um bom ator,
assim como um cavalo que escoiceia
e pula e funga e sua,
quando um domador o tenta montar.
Até cederem, ambos,
cada um com suas concessões
e convicções e posicionamentos,
para serem então quase como um só:
cavalo e cavaleiro.

A função do diretor e provocar,
discutir e aprofundar o trabalho do ator
na conquista de sua personagem.

Um trabalho instigante, mas, que exige interação,
mão dupla, tripla, quádrupla, ...
quantas mãos formarem a equipe de criação
e, sorte daqueles que têm uma equipe que discuta,
fermente e efervesça esse processo maravilhoso
que é, ou deveria ser,
o ensaio de uma peça teatral.

Enéas Lour
Janeiro / 2011

Um comentário:

Gelson disse...

Numero,genero e ckreu!