ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

20 de jun de 2010

DRAMATURGIA



Na Gazeta do Povo deste domingo, 
20 de junho de 2010, 
quatro novos autores revelados 
pelo Núcleo de Dramaturgia do SESI Paraná 
declaram sua pretensão no sentido de 
renovar o “velho” (sic) teatro do Paraná, 
que julgam ter “parado no tempo”. 
Pois bem: concordo. 
A dramaturgia no Paraná, 
como de resto no nosso país, 
está mesmo - e há muito tempo - 
relegada a um plano irrelevante 
no que diz respeito ao trabalho de 
elaboração de pesquisa criativa. 
O pretendente a exercê-la
encontra pouquíssimo apoio por parte 
dos órgãos oficiais ou não oficiais de cultura. 
Neste sentido, a iniciativa do SESI 
de criar o Núcleo de Dramaturgia 
merece nosso aplauso, como também 
a iniciativa da Fundação Cultural de Curitiba 
que abriga o projeto Oraci Gemba 
de incentivo à criação de textos teatrais, 
mesmo que nesta terceira edição 
esse projeto tenha retroagido,  
ao ser transformado pela FCC 
em mero concurso de textos, 
sendo que nas edições anteriores, 
de forma inédita no Brasil, 
apoiava a pesquisa 
concedendo bolsa aos projetos de criação 
dos dramaturgos locais.
Quando estes novos autores proclamam que 
“necessitamos urgentemente mostrar 
dramaturgias de linguagens diferentes 
das que estão sendo feitas aqui em Curitiba” 
 é de se perguntar: por quê? 
Por que necessitamos urgentemente 
mostrar dramaturgias de linguagens diferentes 
(sic) 
das que estão sendo feitas aqui? 
Seriam os nossos dramaturgos imbecis? 
Estariam os nossos dramaturgos despreocupados 
com a sua produção artística? 
Despreocupados em atingir ou não um público 
teatral ávido de vanguardismo? 
O público curitibano clama por tais mudanças radicais 
na forma como são encenadas 
as peças dos autores locais? 
Estariam o 
“nosso teatro e a nossa dramaturgia muito antigos” 
como afirma o quarteto de novos 
dramaturgos curitibanos?
Não me parece que seja assim 
ou que sejam estes os reais motivos 
para que se proponha movimentos 
de renovação radical em nosso teatro. 
Logicamente, sou favorável à proposta 
de constante renovação, de permanente busca pelo novo, 
pelo digressivo, pelo revolucionário, ou seja lá como 
se queira chamar esse tesão que têm, 
e que sempre terão os artistas, jovens ou não. 
Sem isto a roda não roda,
o mundo não anda, mas, 
e é bom que se saiba, 
fomos nós, os autores teatrais locais da
“velha e estagnada geração anterior”, 
segundo esses jovens dramaturgos, 
que a fizemos rodar até aqui.
E mais: 
fizemos isso sem contar com apoios significativos 
das entidades oficiais ou particulares de cultura, 
que, como princípio deveriam - e devem- assim proceder
para que prosseguíssemos escrevendo 
nossas peças teatrais, 
propondo novos caminhos alternativos 
e novas linguagens cênicas. 
Fizemos isso sem apoio 
e em tempos bem mais difíceis que os atuais
no tocante a produção artística, 
em função da conjuntura política brasileira
em nossa juventude. 
E o fazemos até hoje,
mesmo que para alguns possa parecer 
que estamos parados no tempo. 
Apóio a iniciativa desse grupo de jovens autores 
quando remetem a necessidade de ampliarmos 
uma discussão plural sobre a
produção dramatúrgica em nossa cidade. 
Isto será sempre necessário. 
Este trabalho contínuo de pesquisa e de elaboração 
é matéria prima para que se apresente a novidade, 
aflore o diferente, exista a discussão,
o contraponto e se progrida na concepção 
de novas maneiras de se contar histórias
que reflitam a contemporaneidade, 
cada vez mais complexa de nosso mundo, 
sem ser, como acertadamente afirma Roberto Alvim
- coordenador e orientador da oficina de dramaturgia do SESI - 
um “espelho da realidade”,
mas, uma das artes à disposição do ser humano
para ampliar sua maneira de ver o mundo.
Gostaria de atestar aqui que 
a dramaturgia merece ser tratada com 
muito maior significação pelas entidades culturais responsáveis, 
pois, conheço bem a “desimportância” 
com que tais entidades a vem tratando 
nesses 35 anos de atuação nessa área.
Aos jovens que, 
por seus conhecimentos ou por uma tendência natural
exercem papel de precursores ou pioneiros 
em movimentos culturais, o que caracteriza a vanguarda
- e não uma vã guarda -
manifesto meu incondicional apoio
como representante de uma geração que 
a duras penas, por meios próprios 
e usando de unhas e dentes 
conseguiu chegar até aqui.

Enéas Lour  
dramaturgo curitibano autodidata

26 comentários:

Blas Torres disse...

Pois é meu irmão, camarada, pai, amigo. As vezes este afã de busca pelo novo nos precipita nesta inútil negação dos antecessores, e ainda, uma necessidade exógena, biológica, de nossa condição animal nos leva a buscar referencias foráneas e é muito bom que assim seja, em algumas circunstancias podem até fazer rodar diferente a nossa roda.
Agora, nem por isso necessitamos eliminar, ou destruir a nossa história. No mínimo estamos sendo inocentes com tal atitude.
Numa entrevista ao historiador Miguel Gaisler, que fizemos no programa SINAPSE, ele colocou a seguinte assertiva: "O passado é como uma seta. Quanto mais longe retrocedemos, mais longe podemos nos projetar". Negando ela, podemos estar inventando a roda que já foi inventada, e ate andamos com ela, mais até onde? nalguma hora vamos ter que voltar a procurar o que deixamos, lá atrás.
Posso estar falando uma grande burrada, mas acredito nesta teoria que formularam há um bom tempo, que chamaram de dialética. Para mim que vim de fora e estou construindo minha identidade com esta cidade, me é muito útil poder caminhar e ser encaminhado por esses caminhos já andados e por que não da mão de quem esta aberto a partilhá-lo.
Por outro lado o nosso mundo mudou muito, virou mais complexo. E a nossa humanidade?
Será que mudou tanto assim que já não nos identificamos com as historias de Shakespeare? Será que os poemas de Neruda já não tem mais nada a nos dizer? Será que conseguimos entender as prosas e as inquietações de Leminski? Será que já não somos um grãozinho apaixonado?
Devo confessar meu amigo minha ignorância da dramaturgia Curitibana, e enooorrrme, mais as poucas que consegui ler ainda me questionam, ainda me emocionam. Ainda me servem para entender este mundo no qual vim para viver e sonhar..... e criar.
Bom, aproveitando o sonhar, te convido para ver uma dramaturgia, "nova", autentica e feitas com mãos que aprenderam com vocês, e corações que foram incendiados igualmente por vocês. Falo do espetáculo SOBREVOAR, na Cia do Abração.

Saudades deste irmão, que partilha a raiz do mesmo "curto circuito" como você diz.

Pagu Leal disse...

Sou participante do Nucleo e não concordo com as afirmações feitas por meus colegas. Há vida inteligente para além dos nucleos, panelas e sindicatos artísticos.

Anônimo disse...

Oi Enéas!
Acho bacana esse núcleo estar a todo vapor em Curitiba!
Mas concordo contigo e com suas palavras nesse post.
Deixo aqui minha admiração por você e por toda uma geração que trabalha e continua trabalhando pela dramaturgia local.
Você fizeram a nossa história e continuam fazendo!
Um beijo grande e uma ótima semana!
Michelle Pucci

Cléo mari Borges disse...

O Enéias Lour é um grande dramaturgo.
E respeito é bom, viu gente?
Respeito com nossos grandes valores artísticos.
Cléo

Anna Martha via e-mail disse...

Adorei o que voce escreveu.
Assino embaixo do seu comentario.As pessoas nao podem esquecer e desvalorizar os precursores do teatro no Paraná.
Nem suas proprias raizes.
Foram infelizes e levianos em algumas afirmações,outras,porem eu ate compreendo e digo que o apoio do sesi ao teatro local por meio do Nucleo tem sido bastante proveitoso e espero que renda mais frutos,com menos panelas,como disse a Pagu.
bj boa semana
Anna Martha

Rogério Viana disse...

Enéas,

Achei pertinente e pontual sua colocação acerca do que os "novos" autores curitibanos falaram na matéria publicada no CADERNO G, da Gazeta do Povo, ontem.

Principais representantes da "new caçarola" que o Damaceno conseguiu montar dentro do Núcleo de Dramaturgia patrocinado pelo SESI Paraná, Preto, Kamis, França e Zwolinski, a meu ver, reproduziram, em coro, quase de forma uníssona, o discurso do Alvim. E o que é muito triste é que "reproduzem", pois o Alvim não defende que "eles" adotem uma postura tão afinada no discurso e quase nada no efetivo trabalho dramatúrgico, que deve ser individual e singular, sempre. Alvim quer que cada um tenha o seu próprio discurso, "descubra sua própria voz", alcance a tal "singularidade". Alvim disse e tem repetido que prefere trocar a "qualidade pela singularidade". Para mim, singular é bem diferente de plural. E, neste caso, quando os quatro "novos" autores falam em conjunto com o mesmo tom de crítica e postura contra o "atual" teatro de Curitiba, deixam de lado a tal singularidade (a postura individual e única) para assumirem a pluralidade uníssona de um discurso que deseja ser hegemônico, eles fazem exatamente o contrário que o Alvim tem estimulado. Assumem-se iguais e perdem a beleza e a leveza de poderem ser únicos.
Um dos graves problemas dessa geração de "novos" autores é que eles se imaginam criadores de um estilo. E a partir de apenas um pequeno texto ou até mesmo de um fragmento de texto. Eles imaginam-se "modelos". Imaginam, também, serem seres iluminados pelos deuses do teatro, verdadeiros "escolhidos". O grande problema que eu vejo neles, infelizmente, é que pouco se dedicam para a arte da escrita - pois escrevem e escreveram muito pouco ou quase nada - e perdem muito tempo na arte de se formatarem através daquilo que as amebas são especialistas. É preciso dizer mais alguma coisa?
Parabéns pelo seu texto.
Vou refletir um pouco mais sobre os "iluminados e novos" autores. Depois vou escrever algum comentário.
Abraço

Rogério Viana

Àldice Lopes disse...

Enéas meu amado amigo!!!!!
Vamos aguardar os próximos 35 anos né!! O quarteto apocaliptico nos trará notícias do "vanguardismo".
.....Brincadeiras a parte, é lamentável constatarmos a prepotência e arrogância, com que são tratados os "velhos" e "novos" caminhos da dramaturgia
Que dó...............

bju Enéas
Áldice Lopes

Arthur Penna Franco disse...

A discussão é antiga. Já na Grécia antiga os jovens dramaturgos ladravam contra a "velha comédia" de Aristófanes. Daqueles tais jovens dramaturgos, hoje em dia não se sabe o nome, já de Aristófanes ...

A.P.F

Vivi e Lauro Maksud disse...

Que barbaridade.
A garotada tásse!
Vamo em frente Lour!

Anônimo disse...

Hei Enéas! Resolvi também dar minha contribuição ao tal debate. Vai lá no meu blog. Abraços. Edson Bueno

Edson Bueno disse...

(...)
Ok! A fila anda. As gerações vão se apresentando quer queiramos ou não, outros (não novos!) autores, diretores, atores, produtores, vão dando as caras e fazendo seu teatro, quer queiramos ou não. Mas não venham me dizer que o que vimos, em termos de dramaturgia, no palco do Teatro José Maria Santos, durante o Festival de Teatro, seja minimamente comparável a Koltès, Motton, Maxwell, Novarina, etc. Sinto muito. Então que essa “urgência” que os autores que se apresentaram na matéria da Gazeta do Povo de domingo, acreditam exista em Curitiba, para novas dramaturgias, precisa sim ser testada, oras! Então, que vão à luta! Querem o quê? O consentimento da mamãe? O aplauso da vovó? A Gralha Azul? Uma carícia do prefeito? Um tapinha na bunda do governador? Querem que eu, o Enéas Lour, a Fátima Ortiz, etc e tal sejamos atropelados por um ônibus desgovernado na Praça Tiradentes e morramos, para que o caminho fique livre e então eles possam dizer a que vieram? Ou melhor, querem que os Editais nunca mais nos dêem dinheiro para fazermos nosso teatro antigo, e que dêem a eles para que façam seu teatro tão urgente e necessário? É isso? Eu sou de opinião que quem quer fazer as coisas, faz, não fala. Nunca fui de dar conselhos, mas não vai ser copiando o estilo do Koltès, que faleceu há 21 anos, nem a dramaturgia, os personagens e o estilo do Lagarce (Apenas o Fim do Mundo), que o novo vai surgir. Enfim... como eu disse, a fila anda. Sou o primeiro a curtir o novo e aplaudir o belo. Aliás, essa conversa de que “o novo precisa aparecer para que as pessoas percebam o velho”, como diz o genial autor e diretor Preto, é mais velha que Shakespeare!

EDSON BUENO

(O TEXTO COMPLETO ESTÁ NO BLOG : http://efranbueno.blog.uol.com.br)


Escrito por Edson Bueno às 17h18

Angélica Rodrigues disse...

Olá,
depois de ler a entrevista e ler os comentários, e por ser integrante do nucleo de dramaturgia, resolvi dizer algumas palavras. Primeiramente, se analisarmos historicamente quase todo movimento artístico é de contraposição ou negação. Romantismo, Realismo, Renascimento, Barroco etc e tal. Ou se pensarmos nas artes plásticas que de certa forma tem um discurso "mais maduro", pois já passaram de um Da Vinci a um Duchamp...e talvez agora a dramaturgia esteja fazendo esse caminho...Acredito que em nenhum momento os "novos dramaturgos" negam toda a trajetória dramaturgica mundial ou curitibana, mas apontam as necessidades de novos caminhos, não do novo pelo novo. Pois, o novo pelo novo só seria uma mercadoria e tenho certeza que não é isso. Mas sim, de novas impressoes do mundo...acredito também que ninguém vive em bolha para não ter contato com o que aconteceu ou o que acontece, mas está em constante diálogo. Há muito radicalismo na leitura da entrevista. Mas tudo bem, esta é minha opinião. E sobre o comentário, "quarteto apocaliptico" tenho certeza que os "novos autores" levaram como um elogio! Criticar o novo é tão velho e vice e versa. Por fim, Tchekhov também foi rechaçado e Baco era um deus renegado...e é daí é que dizem que tudo surgiu.
abraços

Alexandre França disse...

Olá Enéas, tudo certo? Acompanho o seu blog e gostaria de me posicionar acerca deste último texto, se for possível (e faço isto por admirar a sua arte e te respeitar e claro me interessar pelo seu pensamento sobre o teatro). Tenho infinitamente menos tempo de estrada que você e sei que para ser um bom autor ainda é preciso passar por muita coisa (não me considero um gênio-semi-deus-iluminado-escolhido, como disse com todas as letras o Rogério Vianna, tanto é que estou fazendo o núcleo para tentar aprender alguma coisa, certo?) Na matéria da gazeta, disse que achava que alguns dos nossos autores estavam presos a fórmulas antigas (de forma alguma citei o seu nome, e de forma alguma falei que o que eu faço é “super-inédito”) e que outros apontavam para um caminho diferenciado (estes, aliás, não necessariamente fazem parte do núcleo). Trabalhei (com muito orgulho) com a Claudete Pereira Jorge e com o Luthero de Almeida, atores da sua geração que respeito por demais pela genialidade e posso garantir que sei do imenso valor destes grandes artístas. Aprendi muito com eles, ainda aprendo, e pretendo aprender mais ainda no futuro com estas mesmas figuras. Quero destacar o fato de que nunca consegui passar em nenhum edital da fcc ou de qualquer instituição pública (por ser novo, talvez) para realizar as três montagens que eu mesmo produzi no Mini Auditório do Teatro Guaira com textos de minha lavra (ou seja, no teatro, também sou da turma do "faça você mesmo", muito antes de aparecer o núcleo). Aliás, gostaria de passar num edital destes um dia para pagar bem os profissionais que trabalham comigo (que agora possuem drt, portanto legalmente considerados profissionais) e que acreditam no meu taco e no nosso teatro. Nunca ganhei nenhum gralha azul e nunca fui indicado para este prêmio (diferentemente de montagens estritamente comerciais como "a gorda e o anão", que, curiosamente, na categoria "melhor atriz", "venceu" Rosana Stavis, considerada uma das melhores atrizes do Paraná). Acho que a matéria da Luciana, de fato, faz um recorte e uma edição que, de uma forma ou de outra, acaba sugerindo que TUDO o que é feito em Curitiba é ultrapassado. Não concordo (e é neste ponto que eu compactuo com o seu texto). É até absurdo pensar uma coisa destas. Se você reparar na entrevista, eu cito uma autora genial que não é do núcleo e que faz um trabalho que foge das convenções da dramaturgia moderna: a Léo Gluck. Poderia também citar o Márcio Abreu (da peça "vida", inspirada na obra de Paulo Leminski, grande artista da sua geração), a Sueli Araujo, o L.F Leprevost, entre outros. Ou seja, pessoas que vem fazendo um trabalho interessante e deixando suas marcas na história do teatro curitibano. Não quero parecer um ingrato (e não quis parecer nesta entrevista). Sei do valor da sua geração e sei que a minha geração vai levar muito (mas muuuito) tempo mesmo para fazer o que vocês fizeram com a mesma dimensão e qualidade artística (isto se conseguir). Mas nós estamos tentando e trabalhando para isto (eu digo, a minha geração, e isto inclui eu, o Otávio Linhares, a Maira Lour, o Luiz Felipe Leprevost, a Maia Piva, a Helena Portela, a Verônica Rodriguez, o Diego Fortes, a Léo Gluck, a Nina Rosa, a Giorgia Conceição ,o Henrique Saidel, a Ana Ferreira, a Uyara, a Tuca, o Damaceno, o Cleber Braga, o Paulo Zwolinski, a Patrícia Kamis, o Preto, a Angélica Rodrigues, entre tantos outros, que, acredito eu, não se consideram gênios-escolhidos-etc-etc). Bom, é isto. Espero que não fiquem mal entendidos. Um grande abraço, com estima.

Cleyton Soares disse...

É comum a reação dos jovens autores, pois demonstra um pouco a inocência própria da idade. Toda nova geração tenta "matar o pai", e as gerações que não o fizerem já nascem mortas. Já a reação dos dramaturgos experientes como o Enéas e Edson foi totalmente descabida. Nas entrelinhas, lê-se um certo ranço, como se dissesem: "quem é essa gurizada invadindo o terreiro do preto velho".

Sabine Villatore disse...

Oi Enéas,
Dificilmente haverá um consenso sobre essa discussão...
Mas independentemente, gostaria de abrir parênteses para uma reflexão: o que está acontecendo ao mesmo tempo em volta disso tudo!

Blogs com conteúdos tão ricos ficam praticamente às moscas, sozinhos,sem palavras amigas ou inimigas. Tantos lêem, tão poucos opinam.
Mas basta emergir um tema um pouco mais polêmico, para rechear as páginas de comentários, de discussão, de opinião.
Não é ótimo? Não é assim que deve ser sempre? Trocando e evoluindo a cada dia? Com tantas ferramentas que temos hoje para influenciar e ser influenciados...

Acredito que o mais importante de tudo isso é ver os artistas, os aspirantes e os simpatizantes (se é que é possível fazer essa classificação), enfim, pessoas em geral, se posicionando verdadeiramente diante de uma causa, seja ela qual for. Dizendo “Meu nome é Fulano de Tal e eu penso ASSIM, ASSIM e ASSADO!!” Tendo ALGUMA opinião, seja qual for, e bancando essa opinião publicamente diante de uma esmagadora maioria que sempre cala, por indiferença, preguiça, falta de tempo ou por medo....). Não é lindo? Não é assim que deve ser?

O propósito da arte (velha, nova ou qualquer outra classificação que possa existir por aí...) não é provocar reflexão, discussão e evolução do ser humano? Não é isso que propomos e com o que sonhamos todos os dias? Fazer com que as pessoas tenham visão crítica, tenham a tal opinião, mas que ACIMA DE TUDO, estejam abertas a mudar essa opinião em algum momento, que se questionem o tempo todo, compulsivamente, sobre suas verdades absolutas. Que estejam abertas a se transformar!!!
Acredito que o consenso, que e a opinião em si, nem mesmo a própria situação que causou a discussão, pouco importam.
“Certos”, “errados” e “intermediários”....
Mas perceber toda essa movimentação, ler cuidadosamente cada um dos comentários e pensar sobre o assunto, isso sim é realmente interessante!

Estou adorando tudo isso. POR FAVOR, DISCUTAMOS mais e mais! Sempre.... Obrigada!

Paulo Zwolinski disse...

Enéas e Edson.

Tenho acompanhado o impacto da matéria da Gazeta do Povo de domingo, e digo que da minha parte não houve qualquer ofensa ou crítica para com autores e trabalhos da nossa cidade.
Pra quem me conhece sabe que não sou prepotente, muito menos a ponto de desdenhar o trabalho alheio; Sou sim um apaixonado pelo que faço, no início de carreira e tendo conhecimento que ainda preciso ganhar muita "cancha".
Não faço parte de nenhuma companhia, grupo, panela ou Caçarola, portanto estou constantemente lutando sozinho para mostrar minha dramaturgia, que não considero como inovadora, melhor ou pior do que já feito por aqui; é somente minha dramaturgia.
Respeito muito o trabalho que vocês desenvolvem e sei da importância que têm na história do teatro local.
Infelizmente não os conheço pessoalmente, acredito que seja recíproco, porém gostaria de fazê-lo em uma ocasião mais interessante.

Abraço

paulo zwolinski

Murtinho disse...

Que bafafá!
será que a dramaturgia do paraná merece tanto?
Que coisa maluca!
Eu, como expectador esporádico taetral , acho que preciso ir mais ao teatro local pra ver se é mesmo tudo isso!
Se for vai ser bem bom e se não for ... sei lá!
Murtinho

Maurício Cidade disse...

Não duvido que esse caras sejam bons. Mas esse papo de "o que faço é o Novo (Bom?) e o resto é o Velho (Ruim?)" é bem mais antigo que Shakespeare, é mais antigo até que eu. E é de uma profunda arrogância e ingenuidade ao mesmo tempo. Vejo como discurso de quem busca autoafirmação. Todo artista está buscando, sempre, um outro olhar, uma outra forma. Mas arte não é linear, o novo não substitui o que veio antes, muito menos é necessariamente melhor. Por acaso Shakespeare substituiu Sófocles? Beckett substituiu Shakespeare? Cage tornou Mozart obsoleto? Picasso nos fez desprezar Leonardo? Hitchcock é lixo, depois de Scorsese? Penso que se alguém não vê em Hamlet ou em Medéia o homem (ou a mulher) de hoje, o problema está no leitor.

(publicado no blog do Edson Bueno)

Paulo Biscaia disse...

Plenamente de acordo. Nada mais retrógrado e antiquado que o discurso "novo x velho". Uma coisa é permanente tanto no novo quanto no velho: o que é bom e o que é ruim, o que tem algo a dizer e o que fala ao umbigo (e em seguida evapora), o que tem atitude real e o que é lavado ou covarde. Acredito que estes são parâmetros mais adequados para falar de arte. E ainda existe espaço para as subjetividades no meio disso tudo, mas com parâmetros coerentes, por favor! Me perdoem esta frase que repito como um mantra: ESTOU CANSADO DE VER COISAS NOVAS. PRECISO URGENTEMENTE VER COISAS BOAS!!!
(publicdo no blog do Edson Bueno)

Rogério Viana disse...

Enéas, talvez eu jogue luz ou gasolina na conversa. Mas voltei a escrever sobre aquela controversa matéria do Caderno G.

Aqui está o link para a leitura do texto:

http://estudosdedramaturgia-parana.blogspot.com/2010/06/da-forma-amebiana-e-do-teatro-do-novo.html

Rogério Viana disse...

O Enéas Lour não nasceu Enéas Lour. Ele foi batizado Enéas Lour, por opção de seus pais junto ao registro civil. Enéas Lour, Álcide Lopes, Edson Bueno, Shakespeare, Koltès, Gil Vicente, Novarina, Nelson Rodrigues, Millor Fernandes, Mário Bortolotto, Ricardo Alvim, Sarah Kane e Paulo Biscaia consolidaram seus nomes e suas trajetórias dando muitos bicudos em pedregulhos, tirando tampos dos dedões, rachando unhas, perdendo-as, ralando muito pés descalços ou pés calçados em suas árduas jornadas noite adentro na busca de um caminho singular em suas atividades como autores de teatro. Alguns deles, com certeza, tiveram e devem ter alguém que tenha feito suas cabeças. Quem sabe, uns deles possam ter sido “amebas” no começo da difícil caminhada. Quem sabe! Depois que vislumbraram um caminho e foram em frente, estudando, trabalhando muito, estudando, arriscando, perdendo, teimando, insistindo, experimentando, ganhando, perdendo de novo, encontraram um jeito particular de fazer teatro. Hoje, se perguntarem a eles, haverá a possibilidade deles questionarem alguns de seus trabalhos que integram seus currículos. Talvez gostem menos de algo que ficou no passado. Pode ser também, que possam, já maduros e com pés calejados, teorizarem até sobre o que ficou lá atrás e justificarem, teoricamente, o que importante foi aquele trabalho e que no momento em que foi realizado, encenado, não obteve uma resposta ou uma sinalização encorajadora. É possível olhar para o que passou e ver se foi bom ou ruim. Mas tudo o que foi feito foi válido. E como valeu a pena ter vivido aquilo tudo!
ROGÉRIO VIANA
(o texto completo está no blog: http://estudosdedramaturgia-parana.blogspot.com)

Douglas Daronco disse...

Faço parte do Nucleo do SESI. Discordo da forma como a matéria foi publicada (na Gazeta). Cabe esclarecer que o Núcleo é, antes de tudo, um projeto de informação e formação para novos autores, não necessariamente de uma nova dramaturgia. Não se pode avaliar uma iniciativa tão interessante a partir da fala (editada) de 4 pessoas, já que o Núcleo conta com cerca de 40 integrantes, com experiências, propostas e pretensões bastante diversas.

marcos disse...

Oi, Enéas
A urgência se refere mais à questão de Curitiba não perder o bonde, o momento histórico de se colocar a dramaturgia novamente em foco.
Não sei não, mas acredito que todo este movimento vai dar caldo. Aposto minha aposentadoria com o Aldice que daqui a 35 anos teremos noticias dos novos dramaturgos. Não sei se propriamente do quarteto fantástico. Talvez não sobrevivam às pauladas. rs. Mas que teremos um cenário mais rico em dramaturgia, aposto que teremos. Estou pessoalmente empenhado nesse processo.
Sobre a questão o novo vs velho nem vou entrar na polêmica. Ficou um tanto “sensacionalismo da mídia”. Mas vale pela discussão que está gerando.
Lembro que um dos redirecionamentos pelo qual o Núcleo passou este ano foi o de permitir o ingresso de autores experientes, contribuindo para a formatação de grupos de estudo e criação mais heterogêneos, com distintas visões sobre a arte, a vida, entendimento de mundo.
Concordo com a moça do post anterior sobre a importância dessas discussões. E este teu blog (e do Bueno e o da Luciana também) vem se revelando valioso espaço.
Beijo
Damaceno
Dramaturgo não tão autodidata, Coordenador do Núcleo de Dramaturgia SESI-PR

Rogério Viana disse...

O tom dos "iluminados" baixou um pouco, não é? Os "novos" talvez tenham pisado na bola. E, diante da saraivada de vozes contrárias houveram por bem darem cores menos dramáticas ao que pintaram de trágico no cenário teatral curitibano com suas falas. Dois já se manifestaram, humildes. Não foi bem isso... Eu até tenho contato com os "velhos"... Sou inexperiente ainda, mas... O patrono deles - que é bem jovem, porém articulado e bem amparado institucionalmente - também veio com uma voz humilde. Com cara de menino bonzinho. Até com tom brincalhão, pondo panos quentes, mas, como sempre ocorre joga a polêmica para o colo da Luciana Romagnolli, a autora da matéria e do texto do blog. Diz ele, o Damaceno: Ficou um tanto "sensacionalismo da mídia”. Meu querido Damaceno, jogar a culpa na Luciana é uma desfaçatez, meu caro. Além de ser infeliz, é infantil, insensível e ingrata. Ela abriu importante espaço para os quatro "iluminados" e você, comandante deles, diz que é "sensacionalismo da mídia"?. Pois é da mídia que você precisa, assim como precisou de mim que o socorresse algumas vezes no ano passado, elaborando press-releases para você divulgar alguns eventos do núcleo não cobertos pela própria assessoria de imprensa do SESI, não é?

Sabine Villatore disse...

EPA,
Não sou do tipo religiosa ferrenha, mas subitamente me baixou a Madre Teresa.

Abro aqui “uns parentes” para um Post versão Madre Teresa:

(‘MEUS IRMÃOS’!
1) Ninguém nunca está 100% certo e nem 100% errado - considerando que “certo e errado” são conceitos tão relativos quanto “velho e novo”;
2) Acho maravilhoso que todos tenham opinião, contando que estejam sempre abertos a rever seus conceitos a qualquer momento;
3) Liberdade de expressão: "Não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte, teu direito de dizê-la".
4) Viva as discussões! Fundamentais para a evolução do ser humano;
5) O problema das discussões é quando se transformam-se em exaltações;
6) Respeita ao próximo como a ti mesmo;
7) NÃO julgarás;
8) Julgarás SIM, mas a língua é chicote da bunda;
9) A união faz a força. O segredo do sucesso está na coletividade. Qualquer classe perde força e voz por se “fagocitarem” entre si;
10) Lutemos pelo que nos é comum e não pelo que divergimos.
UM BEIJO,
Madre Teresa)
OK. Frases de efeito e chistes à parte, Talvez eu esteja na década errada, mas: PAZ E AMOR! ( e PÃO... e CIRCO... e...).

Angélica Rodrigues disse...

Concordo com a Sabine. Viva as discussões!Mas não agressões. É aí
que eu acho o teatro curitibano imaturo, pois muitas pessoas não sabem discutir sem levar algo como ofensa direta. Tem calo ardendo de todos os lados pra ter gerado tanto bafafá. Será que preciso ter não sei quantos anos de teatro curitibano pra poder abrir a boca? Esta cidade tem muito sentimento de queime as bruxas. O teatro é riquissimo, tantas maneiras de se fazer e Curitiba é populosa, há espaço pra todos. E como disse Edson Bueno "A fila anda".
Abração