ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

9 de fev de 2010

QUATRO


QUATRO

A fábula de hoje trata de um assunto
muito conhecido por todos nós:
As Quatro Faces Da Solidão!
E por quê quatro faces? 
Por que não três, ou cinco, ou nove faces?
Perguntariam e eu responderia :
- "Porque a solidão é como o espelho e, 
como se sabe,
todos os espelhos têm sempre quatro faces : 
a face externa, a face interna,
a face moderna e a face oculta.”
Minha fábula inicia há muito tempo atrás,
há anos e anos,
quando quatro mulheres fabulosas juraram
se encontrar sempre e sempre.
Quatro mulheres solitárias.
Aliás, não é só a solidão que se apresenta
sempre com quatro faces, não!
Quatro são as quatro estações do ano
- primavera / verão / outono / inverno.
Quatro são os elementos naturais
- água / fogo / terra e ar.
Quatro são as fases da lua 
- cheia / crescente / nova e minguante.
Quatro são os naipes do baralho 
- ouros / copas / paus e espadas.
Quatro são os pontos cardeais 
- norte / sul / leste e oeste.
Quatro são os evangelhos do novo testamento
- Marcos / João / Lucas / Mateus.
Quatro são os gostos que a língua sente: 
- salgado / doce / amargo / azedo.
E quatro são os quatro cavaleiros do apocalipse!

Assim, quatro eram também estas quatro mulheres fabulosas.
E, entre estas quatro mulheres, havia uma que era especial! 
Ela era diferente das outras três mulheres.
Era uma mulher forte! Decidida!
Liberada e Independente!.
Uma mulher à frente de seu tempo! 
Ela era linda, linda... linda!...
Os homens - e até as mulheres - a desejavam muito!
Nas festas, os homens não tiravam os olhos de suas pernas!
De seus seios! De seus olhos amendoados!
De seus lábios suculentos!
Mas, essa mulher especial apesar de ter todos
os homens a seus pés, era péssima!
Era terrível!
Era a mais terrificante das mulheres sobre a Terra!
E além disso era ciumenta e mais: 
Ela era obsedada por organização:
quando ela ia a um supermercado comprava só os ovos
que faltassem na gaveta para completar
os espaços dos 12 ovos que cabem ali!
Espremia a pasta de dente embaixo para que saísse
somente o necessário para uma escovação!

Assim era ela, a mulher especial
entre as quatro mulheres fabulosas!
E, por ser assim,
esta linda mulher especial, era triste!
Queria ser alegre, mas, era triste!
Queria amar e ser amada, mas, era triste!
Queria beber o sol das manhãs, mas, era triste!

E triste seguia ela entre as mulheres do mundo,
como triste seguem os espelhos refletindo
tudo o que se lhes põem diante deles! ...

Texto de Enéas Lour 
para a peça teatral "As Fabulosas" de
Rafael Camargo

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