ENÉAS LOUR É ATOR, DRAMATURGO, CENÓGRAFO E DIRETOR TEATRAL

7 de abr de 2010

REFORMAS JÁ!



O Guairinha
(Auditório Salvador de Ferrante)
inaugurado em 1953 precisa de reforma? Sim.

Evidentemente, o prédio público
que abriga o teatro precisa de reforma.
Precisa de aquisição de equipamentos
de iluminação e de som.
Também precisa de equipamento de ar condicionado.
Precisa tratar de resolver a questão do rio
que passa abaixo do palco
e que em dias de muito calor ou de chuva intensa
causa sérios problemas de mau cheiro
e transbordamento de esgoto.

Sim, o Guairinha precisa de reformas.

Mas, mais que o espaço físico que abriga
os três auditórios do Centro Cultural Teatro Guaíra
o que realmente precisa de uma reforma
profunda, estrutural, conceitual
é a Política Cultural da Secretaria de Estado da Cultura,
que rege as ações do Teatro Guaíra.

Esta, sim, está muito mais ultrapassada
que a maquinaria cênica e as instalações do Guairinha!
Muito mais!

A Secretaria de Estado da Cultura
tem uma participação ridícula no orçamento estadual.
O Centro Cultural Teatro Guaíra vem, ano a ano,
sendo relegado a um plano digamos : secundário
nas ações da Secretaria de Cultura,
principalmente na gestão que agora se encerra,
com oito anos de penúria.

Foram abandonados projetos
de reconhecida importância cultural,
como as produções oficiais do TCP
– Teatro de Comédia do Paraná –
que contava com um histórico de grandes sucessos
de público e de crítica, que atraíram milhares de espectadores
ao Guaíra e proporcionaram oportunidades valiosas
aos autores, atores, diretores e técnicos profissionais do Paraná
para o exercício de suas atividades
em montagens de alto gabarito artístico,
com a participação de grandes nomes do teatro brasileiro
contracenando com nossos atores
ou criando cenários e figurinos
ou compondo trilhas sonoras
e iluminações para essas montagens
numa troca de informações extremamente rica.

Abandonou-se também as co-produções
de espetáculos com as companhias locais.
Abandonados foram ainda outros diversos projetos,
como os Ciclos de Leituras Dramáticas,
o Festival Nacional de Teatro Infantil,
os Editais de Apoio à Montagens de Espetáculos
por companhias e grupos independentes do Paraná
e os Editais de Apoio à Circulação
de Espetáculos Paranaenses
pelo interior do Estado.

Extinguiu-se a Comissão Estadual de Artes Cênicas
- CEAC -
que reunia representantes das diversas
entidades de classe
e assessorava a direção do Teatro Guaíra
apresentando as reivindicações da categoria
amadora e profissional
de teatro, dança, circo e ópera.

São anos de insistente “demolição”
das conquistas da classe artística.
São anos e anos de aumento de burocracia,
de emperramento de projetos,
de descaso com os artistas cênicos locais.

São anos de isolamento das diretorias
que se sucederam no comando do Guaíra
sem apresentar projetos
para o desenvolvimento de ações que busquem
uma efetiva atuação em nível estadual
e que mantiveram uma atuação pífia
localizada tão somente em Curitiba.

Fui diretor artístico do Guaíra
por sete meses, em 2006,
e pude sentir a grande dificuldade que tem
a autarquia, por deficiências administrativas,
mas também por "miopia", encastelamento e
falta de diálogo com a realidade
dos artistas e produtores culturais,
em dar atendimento mínimo às expectativas
não só da classe artística,
com também dos espectadores,
ou seja, os cidadãos que,
através do pagamento de impostos,
a mantém e a quem ela deveria bem atender.


Mas, pior que isto,
pude observar, nesses anos todos,
a transformação kafkiana que o Teatro Guaíra
vem sofrendo enquanto metamorfoseia-se,
não na barata do dramaturgo checo Franz Kafka,
mas, num imenso, burocrático,
lerdo e débil “elefante-branco”.

Urge sim, uma reforma profunda nas diretrizes
da Secretaria de Estado da Cultura.

Este ano de 2010 é ano eleitoral
e, para a gestão 2011 / 2014 do novo governador,
seja ele quem for,
é o momento da classe artística
se posicionar e exigir mudanças.


Enéas Lour

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Um comentário:

Sabine disse...

A MINHA RESPOSTA É: "SIM!!!!!!"